Abordagem top-down e bottom-up em Administração

Análise e Desenvolvimento de Sistemas (Universidade Nove de Julho, 2008)
MBA em Gestão Empresarial (Universidade Nove de Julho, 2010)

Hoje em dia é cada vez mais raro encontrarmos empresas que não tenham sido compelidas a reorientar seu modus operandi – ajustar-se às demandas da competitividade é uma questão de vida ou morte no mundo corporativo – para atuar sob a ótica da gestão por processos, uma medida que visa aperfeiçoar cada uma das microoperações ou representações elementares das atividades existentes em uma empresa, rotinas que em conjunto conduzem a seus propósitos comerciais, e converte-las em mecanismos mais adequados, ordenados de forma mais lógica, satisfatória e fluída conforme suas requisições e entregas, com a finalidade de evitar possíveis entraves ao fluxo apropriado dos insumos essenciais à geração de valor e à realização dos negócios.

Bem definidas tais “engrenagens”, o modo como são dispostas e utilizadas varia de empresa para empresa conforme sua razão de ser e de acordo com o tipo de modelo gerencial adotado, tudo aliado, é claro, a seus objetivos estratégicos e sua visão de mercado, para que funcionem de maneira o mais eficiente possível.

Importante observar, porém, que nem sempre as coisas acontecem dentro do esperado, já que variáveis de difícil controle – econômicas, sazonais, mercadológicas, etc. – fazem parte jogo. Por outro lado, o fato de existirem variadas formas de gerenciamento, algumas possibilitando desempenhos exitosos e outras nem tanto, leva a crer que ainda não se consolidou um modelo que acomode as múltiplas transformações, geralmente aludindo questões sobre melhoria operacional, a que estão sujeitas as organizações contemporâneas ante as constantes metamorfoses e exigências dos mercados em geral.

Como se trata de uma decisão de alto impacto, cujas repercussões advindas de sua aplicação são difíceis de simular e levam certo tempo para serem conhecidas, definir o modelo de gestão apropriado depende, entre outros fatores, do grau de percepção das necessidades e potencialidades do negócio em relação a sua capacidade de sucesso frente aos desafios externos, de onde se apreende não haver outro caminho que conduza a uma escolha sensata senão por meio do estudo dos modelos existentes e da avaliação dos resultados alcançados por quem já os tenha adotado.

Entre as alternativas de gestão existentes podemos encontrar as abordagens top-down e bottom-up que, como os próprios nomes sugerem, se caracterizam por determinar uma orientação descendente, no primeiro caso, e ascendente, no segundo, quanto ao curso da tomada de decisão estratégica. A diferença entre ambas as propostas pode ser muito significativa, representando mais ou menos responsabilidades compartilhadas conforme o caso e dependendo do tipo de comando que se deseja exercer ou do estilo de gestão que se tem em mente.

Embora demandem práticas semelhantes no momento de identificar os objetivos gerais da organização, a primeira opção, top-down, possui forte correspondência com os métodos clássicos de gestão, onde as deliberações costumam ocorrer exclusivamente no âmbito da direção e dali são difundidas para as demais áreas ou subníveis da empresa, ou seja, a participação das linhas de frente e intermediárias no contexto do planejamento corresponde somente a executar o que foi definido. Este tipo de gestão, por seu caráter centralizador, requer um domínio consistente do negócio, caso contrário, em circunstâncias que impliquem qualquer hesitação da linha de comando, todo sistema pode ser comprometido.

Por sua vez, a opção bottom-up busca estimular a inovação e o desenvolvimento individual gerando um ambiente participativo que privilegia o capital intelectual e o compartilhamento indiscriminado das ideias. Tem como vantagem, pela sensação de pertinência que ocasiona, contribuir com a melhora expressiva do clima organizacional. Entretanto, a ausência de um plano bem elaborado de gestão de competências e reconhecimento por mérito, solução para administrar a concorrência que irá surgir entre os colaboradores, pode debilitar a sinergia e prejudicar os objetivos.

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