Finanças corporativas

Análise e Desenvolvimento de Sistemas (Universidade Nove de Julho, 2008)
MBA em Gestão Empresarial (Universidade Nove de Julho, 2010)

Para a maioria das pessoas no planeta, a ocorrência dos termos Estados Unidos e 2001 na mesma frase ainda remete ao trágico e cinematográfico episódio ocorrido naquele país, uma catástrofe sem precedentes que resultou na devastação do complexo comercial constituído por empresas de diversas nacionalidades instaladas em dois dos mais importantes edifícios da cidade de Nova York, as torres gêmeas do Word Trade Center, ocasionando mais de 3.000 vítimas numa fatídica manhã de setembro.

No entanto, naquele mesmo ano, outro acontecimento não menos dramático, guardadas as devidas considerações em relação ao primeiro, resultou em marco decisório no mundo corporativo e abalou para sempre a ligação de confiança entre empresas e investidores, a partir do alvoroço desencadeado pela administração fraudulenta e consequente ruína da Enron, gigante do setor energético certa vez apontada pela Fortune, revista especializada em negócios e personalidades proeminentes, como ocupante da sétima posição entre as maiores empresas americanas, escândalo que motivou a criação, em 2002, da Lei Sarbanes-Oxley ou simplesmente Sarbox, cujo propósito é justamente oferecer amparo jurídico aos acionistas contra eventuais excessos cometidos pelos representantes de seus direitos acionários.

Desde então, passou a ser comum a utilização da expressão “efeito enronite” em referência à constatação de irregularidades financeiras atribuídas a organizações que tenham elaborado balanços com indícios de manipulação de contas ou despesas que afetam seus resultados.

Não à toa – e por razões óbvias –, o aspecto financeiro é o ponto nevrálgico de qualquer empreendimento. Entre os inúmeros desafios enfrentados pelos empresários em geral, há dois fundamentais, correspondentes a responsabilidades determinantes especificamente ligadas à subsistência do negócio: a tomada de decisão de financiamento e de investimento.

Conforme dados de uma pesquisa intitulada Empreendedorismo no Brasil conduzida pelo SEBRAE, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, cerca de 56% dos negócios que surgem no país encerram suas atividades antes dos cinco anos de existência em decorrência, entre outros fatores, da falta ou deficiência de planejamento financeiro. O levantamento aponta ainda um universo de 27% de empresas que foram extintas já no primeiro ano por não terem recorrido a uma consultoria especializada antes do início das atividades.

O processo de definição da melhor alternativa de captação ou aplicação de recursos não constitui tarefa simples se levarmos em conta, por exemplo, a complexidade e o dinamismo do ambiente econômico-financeiro em que o negócio está imerso, questão que se torna ainda mais decisiva ante as pressões incrementadas pelo fenômeno da globalização dos mercados.

Em última análise, tais dificuldades e o expressivo crescimento do setor financeiro acabam ocasionando impactos significativos na economia de modo geral quando algumas organizações entram em colapso por recorrer a expedientes ou instrumentos aleatórios de gestão financeira sem avaliar adequadamente a repercussão sobre seus objetivos, estratégias e resultados. A consequência, de maneira lúdica, seria como se uma máquina já a todo vapor por ter recebido novos componentes, de súbito, por motivo de defeito ou inadequação dos mesmos, tivesse que reaproveitar os antigos.

Isoladamente, é muito difícil cravar uma definição sobre finanças. O mundo se nutre de números e continuamente somos bombardeados por todos os meios de comunicação a respeito de informações sobre uma infinidade de eventos econômicos, seus desdobramentos no governo, na sociedade e, inevitavelmente, sobre nossas próprias vidas.

Em termos corporativos, finanças representam o conjunto de atividades que definem a destinação, o controle e a administração dos meios financeiros inerentes à empresa a seus proprietários ou a seus investidores no âmbito do negócio. Representam os esforços para obter o melhor proveito dos recursos de valor e seu principal objetivo é elevar a cotação da empresa e promover o equilíbrio adequado entre rentabilidade, risco e liquidez.

Arquivado em: Administração