Arte Persa

Por Ana Lucia Santana
Entre 550 e 500 a.C., uma tribo habitante da planície iraniana adorava a luz e o sol, acreditava na luta entre o bem e o mal e há muito tempo encontrava-se sob o jugo dos medos. Estes rudes guerreiros eram os persas. Em 558 a.C., sob o comando de Ciro, o Grande, eles se revoltaram e derrotaram seus opressores. Conquistaram depois o reino da Lídia, em 546 a.C. e o da Babilônia, em 539 a.C., construindo o Império Persa e dominando os jônios na Grécia. Foram, porém, derrotados na batalha de Maratona, em 490 a.C., durante o governo de Dario I. Outra batalha famosa, a de Salamina, em 480 a.C. deu início a uma série de derrotas, que culminaram com a revolta dos gregos, auxiliados pelos egípcios, representando o início da derrocada deste Império.

Esta civilização era essencialmente guerreira, característica naturalmente expressa em sua produção artística, com a criação de criaturas míticas, fantásticas, quase sempre grandiosas, figuras com cabeças humanas e corpos de leão, touro e águia. Suas esculturas eram modeladas com argila e mármore, seus palácios e imponentes construções testemunham o valor da arquitetura persa, as sedas e tapeçarias foram idealizadas como verdadeiras obras de arte.

A arquitetura teve dois grandes momentos. O primeiro corresponde à dinastia dos Aquemênidas (550 a 331 a.C.), à qual pertencia Ciro, o Grande. Deste período restam as ruínas de Pasárgada – capital do reinado de Ciro II, o grande. Com a ascensão ao poder dos Selêucidas, as obras arquitetônicas persas receberam uma influência marcante do estilo grego. Esta fase histórica teve início com a conquista da Pérsia por Alexandre Magno em 331 a.C. Mas foi durante a dinastia sassânida, que principiou em 226 d.C. e durou até 641, com a chegada do Islã ao poder, que ocorreu um renascimento na arquitetura. Os principais sinais históricos remanescentes desta época são as ruínas dos palácios de Firuzabad, Girra e Sarvestan e as amplas salas abobadadas de Ctesifonte.

Enquanto no reinado dos Aquemênidas a escultura teve características monumentais, do período sassânido restou apenas um modelo escultural, a monumental imagem de um rei fantasma, nas proximidades de Bishapur. As artes decorativas, durante a primeira dinastia, eram usadas nos artigos de luxo, tais como vasilhas de ouro e prata e jóias trabalhadas. A pintura sassânida desenvolveu-se amplamente – há relatos sobre milionários persas que decoravam as paredes de suas mansões com imagens de heróis iranianos. A arte em tecidos teve uma importância sem igual nesta época, pois sedas, brocados, rendas e tapeçarias eram muito valorizados e copiados por toda parte. Durante as Cruzadas, eram utilizados para cobrir relíquias de santos. Os tecidos - principalmente a tapeçaria -, sobreviventes nos dias atuais são de imenso valor artístico, e possivelmente os mais caros.

A cerâmica também imprimiu sua marca na história da arte persa - já avançada na era dos Aquemênidas, prosseguiu seu desenvolvimento na Dinastia Sassânida. Restam vários pratos deste período, expostos no Museu Britânico, no Hermitage e no Metropolitan Museum of Art, de Nova York.

A arte dos sassânidas resgatou antigas tradições persas e durante a era islâmica alcançou o litoral do Mediterrâneo. A arquitetura deste período influenciou largamente o Império Bizantino e também o estilo do Islã, o que pode ser constatado na cidade de Bagdá - construção baseada em características persas.