Patchwork

Por Ana Lucia Santana
O patchwork é uma técnica que envolve o ofício de unir retalhos variados, compondo diversas misturas de colorações, formatos e design. Esta expressão, traduzida literalmente para o português, significa ‘trabalho com retalhos’ ou como popularmente se conhece, ‘colcha da vovó’. O patchwork é o elemento que se localiza na esfera superior do trabalho manual; no meio está situado o enchimento, ou seja, a manta acrílica, e sob o todo, que resulta no acolchoado, está o forro. Tudo é perfeitamente fixado por um método conhecido como ‘quilting’ ou pespontos largos - pontos de costura, em que a agulha entra um pouco atrás do lugar de onde saiu –, elaborados manualmente ou na máquina.

Há inúmeras maneiras de se compor os estratos superiores do trabalho, utilizando modelos de aplicação ou mesclando os padrões de patchwork com as aplicações. A partir destas técnicas é possível tecer colchas, mantas para recobrir estofados, murais, roupas e outras criações.

Historicamente é possível perceber que o Homem sempre exerceu o ofício de tecer, desde os ancestrais faraós que viveram no século IX a.C., passando pela migração desta técnica para o Oriente pelas mãos dos comerciantes, posteriormente para o território onde atualmente se localiza a Alemanha, atingindo as terras inglesas no século XI, destinada a produzir tapetes e túnicas para o clero.

Os primeiros acolchoados, porém, só foram registrados pela História no século XVI, sob o reinado de Henrique VIII, tornando-se presentes valiosos entre os ingleses. Os cavaleiros medievais valiam-se destes trajes para se protegerem sob a armadura. Na segunda metade do século XVII esta técnica desembarcou na América, principalmente nos EUA e no Canadá, no interior da bagagem dos colonizadores, na forma de colchas tecidas com linho ou lã. A palavra de ordem, neste momento, era economizar ao máximo os pedaços de tecido, na época muito raros, assim como agulhas e linhas, transmitidas de mãe para filha, bem como o conhecimento destes métodos de composição de fios e tramas, cores e formatos variados.

A criação da máquina de costura residencial recebeu sua patente em 1851, o que possibilitou o aparecimento de diversas inovações. Além do já conhecido bloco de cadeia irlandesa, surgiram outros modelos, o Dresden Plate - prato de Dresden ou margarida -, o Texas Star - estrela do Texas -, o Grandmother's Flowers Garden - jardim das flores da vovó -, o Bear's Paw - pata de urso -, o Schoolhouse – escola -, e outros mais. São publicados veículos especializados sobre este tema, oferecendo variadas opções e paradigmas.

A quebra da Bolsa de Valores, em 1929, intensificou o desenvolvimento do ‘quilting’, pois as tecelãs tinham que economizar todo tecido que pudesse ser encontrado, levando assim ao aparecimento de renovados padrões. São criados apetrechos que permitem o uso da técnica de aplicação e assim o patchwork vai, aos poucos, deixando de ser apenas artesanato para se transformar em uma arte, cultivada hoje mais do que nunca.

Os EUA, por exemplo, é um mercado que se amplia cada vez mais, produzindo um lucro de pelo menos dois bilhões de dólares. Além deste país, há quilteiras em todo o mundo. Tecidos são especialmente produzidos, todos os anos, para a elaboração do patchwork, e atualmente há recursos inumeráveis para uma maior praticidade deste ofício. Há também festivais que contribuem para propagar esta técnica, que atua igualmente como um fator terapêutico.

Fontes
http://www.sati.art.br/?page_id=79
http://www.evaeeva.com.br/oquee.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Patchwork