E. P. Thompson

Por Ana Lucia Santana
O historiador inglês Edward Palmer Thompson nasceu na cidade de Oxford, na Inglaterra, no dia 3 de fevereiro de 1924. Marxista convicto, ele é respeitado até hoje como um dos maiores da história do século XX nesta área. No período da Segunda Guerra Mundial ele atuou na Itália, no combate contra o fascismo e seu líder, Benito Mussolini.

Seus estudos foram realizados no colégio Corpus Christi, em Cambridge. Nesta mesma época ele se tornou militante do Partido Comunista Britânico. No ano de 1946, Thompson criou um grupo de estudos voltado para pesquisas históricas no campo marxista, integrado por nomes como os de Christopher Hill, Eric Hobsbawm, Rodney Hilton, Dona Torr, entre outros.

Ele lecionou por muito tempo em diversas Universidades, mas sua maior experiência acadêmica foi na Universidade de Leeds, quando se dedicou, aí, à elaboração de cursos noturnos para a classe trabalhadora. Desta experiência, ao lado de Raymond Williams e Richard Hoggart, nasceram as raízes teóricas dos Estudos Culturais. Neste momento o historiador reflete sobre a natureza da pedagogia, pretendendo, com estas meditações, possibilitar a transcendência dos padrões impostos pela elite.

Thompson desejava estabelecer uma interação mais flexível entre aprendizes e mestres, subvertendo assim as metodologias desenvolvidas nas escolas convencionais. Ele tinha fé no potencial do aluno como o principal meio de aprendizado; assim, ele destacava o talento e a vivência de cada um como elementos essenciais na elaboração de uma didática melhor.

Os trabalhadores também inspiraram sua obra mais conhecida – A Formação da Classe Operária Inglesa – editada em 3 volumes. Thompson lecionou igualmente na Universidade de Warwich, de 1965 a 1971. Na década de 70 ele deu aulas, em alguns momentos, para as Universidades norte-americanas de Pittsburg, Rutgers, Brown, e Dartmoth College.

Seus artigos versam, em grande parte, sobre as histórias do trabalho e da Cultura, sempre no âmbito das questões sociais. O historiador mantém seu ponto de vista centrado na classe trabalhadora, argumentando que a trajetória dessa camada da população não é empreendida apenas no sentido econômico, mas principalmente na edificação de suas vivências históricas.

Ao olhar para trás, ele procura resgatar os avanços e prejuízos deste segmento, pois apenas desta forma é possível visualizar seus confrontos e as mudanças que marcam sua jornada. Thompson abordou igualmente o neoliberalismo, os estudos culturais que enfocam o olhar feminista e o marxismo ortodoxo.

Ele se desvinculou do Partido Comunista em 1956, depois das denúncias sobre as práticas stalinistas. Na década de 80 militou no movimento pacifista antinuclear. Em 1988 o pesquisador retomou a carreira acadêmica, assumindo o magistério no Queen's University de Kingston, em Ontário, no Canadá. Logo depois passou a lecionar na Universidade de Manchester, na Inglaterra. De 1989 a 1990 ele atuou na Universidade de Rutgers. Thompson morreu aos 69 anos, no dia 28 de agosto de 1993, na cidade de Worcester.

Fontes:
Victor Andrade de Melo. A Animação Cultural. Conceitos e Propostas. Editora Papirus, Campinas, SP, 2006.
http://culturamauff.blogspot.com/2009/04/edward-palmer-thompson.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Edward_Palmer_Thompson