Ésquilo

Um dos poetas trágicos mais conhecidos da Antiga Grécia, Ésquilo nasceu em 525 a.C., em Elêusis, sede dos Mistérios de Elêusis, ritual de iniciação ainda pouco conhecido em nossos dias. Ele chegou a ser acusado de divulgar segredos importantes desta cerimônia, mas foi finalmente liberado de qualquer suspeita. Atuou como soldado em Maratona, Salamina e Platéias, constituindo-se em herói grego quando tinha apenas 35 anos. Destas experiências teria se originado uma de suas maiores fontes de inspiração para a criação de sua obra teatral.

A civilização ateniense, que Ésquilo viu se consolidar através da prática democrática, quase sucumbiu diante do inimigo, sendo salva por uma famosa batalha naval, a de Salamina, consagrada pelo dramaturgo em sua célebre peça, “Os Persas”, escrita oito anos depois deste combate. Em Siracusa, hóspede do tirano Hiéron, ele teve contato com a mística sabedoria dos adeptos de Pitágoras, outra influência em sua obra, marcada pelo retrato da dor, através das narrativas sobre Deuses e Mitos, destacando-se Prometeu Acorrentado.

Segundo alguns estudiosos de sua obra, ele produziu 79 tragédias, enquanto outros atribuem ao dramaturgo a criação de pelo menos 90 peças, das quais foram preservadas apenas sete tragédias integrais, além de alguns trechos de outras. São elas: Os Persas (472 a.C.); Sete Contra Tebas (467 a.C.); As Suplicantes (c. 463 a.C.); Prometeu Acorrentado (c. 462-459 a.C.); Agamemnon (458 a.C.); Coéforas e Eumênides (458 a.C.). As três últimas formam a única trilogia que sobreviveu integralmente, a Orestéia, uma das mais comoventes peças trágicas da Antiguidade.

As tramas desenvolvidas por Ésquilo refletem seu tom apaixonado. Os diálogos ardentes e os enredos por ele urdidos eram claramente provenientes de uma era heróica. Otimista inveterado, nas suas peças o bem sempre vence o mal. Mas logo a Grécia mergulha em novo dilema existencial, o combate pela supremacia entre os outros povos. Deste contexto nasce a primeira tragédia conhecida, As Suplicantes.

Na peça Prometeu Acorrentado, Ésquilo traduz sua posição política, alinhada com a nobreza, contraposta ao novo regime e aos governantes emergentes. Com esta obra ele é preterido em um concurso por um adversário mais jovem, Sófocles, no ano de 468. Na época, muitos achavam que esta derrota era reflexo de sua postura na Política. O dramaturgo continua firme em seus ideais e, quando a recém-nascida ordem retira do próprio Areópago – o Supremo Tribunal Ateniense – seus privilégios, Ésquilo defende este órgão institucional através da produção de As Eumênides.

Ésquilo estava praticamente inserido entre duas eras distintas, tanto na política quanto nas esferas da religião e da ética. Embora fosse um adepto da racionalidade helênica, ele adotou o monoteísmo. Assim, ele oscila entre o misticismo do Oriente e a filosofia grega vigente na época em que viveu. Essas características influenciaram profundamente sua obra, que localiza a presença do mal no próprio Homem, anulando assim a interferência dos deuses na instauração das imperfeições entre os seres viventes. Sua visão espiritualizada é o ponto essencial que o distingue dos demais dramaturgos.

Narram as histórias tradicionais que Ésquilo morreu ao ser atingido por uma tartaruga, lançada em sua cabeça calva, confundida com uma pedra por uma águia, que tinha como objetivo romper a carapaça do animal.

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