Graça Aranha

Por Ana Lucia Santana
O futuro escritor e diplomata brasileiro nasceu em São Luís do Maranhão, no dia 21 de junho de 1868, batizado então como José Pereira da Graça Aranha. Sua família era próspera e culturalmente rica, o que propiciou ao autor intenso crescimento intelectual. Ele se graduou em Direito na Faculdade de Recife, onde teve como mestre ninguém menos que o filósofo, poeta, crítico e jurista brasileiro Tobias Barreto, o que o influenciaria profundamente.


Graça Aranha

Posteriormente ele assumiu os cargos de Juiz de Direito no Rio de Janeiro, ocupando depois a mesma função na cidade de Porto do Cachoeiro, no Espírito Santo, seguindo mais tarde a carreira diplomática. Neste município ele colheu os elementos necessários para criar sua obra-prima Canaã, um raro exemplar da literatura simbolista brasileira, lançado em 1902, alcançando grande sucesso na época.

Ele foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, tornando-se titular da cadeira número 38 mesmo sem ter ainda produzido nenhuma obra, pois revelara a Machado de Assis e Joaquim Nabuco alguns trechos de seu primeiro livro, Canaã. Nela ele narra como se desenrola a existência em uma colônia de imigrantes europeus no Espírito Santo. Os protagonistas, Milkau e Lentz, representam duas visões opostas sobre a nova terra em que se encontram.

Milkau acredita que alcançou a ‘terra prometida’, ou melhor, Canaã, o paraíso oferecido por Deus ao patriarca Abraão, história presente no Antigo Testamento. Já Lentz crê na superioridade da raça ariana, alimentando um racismo e um preconceito inconcebíveis, não conseguindo se adaptar ao novo contexto. Para este personagem, os mestiços que habitam o país são preguiçosos e ociosos.

Detentor de grande prestígio nos meios intelectuais, de uma seriedade ímpar, respaldada por sua atuação na criação da Academia Brasileira de Letras, que tentava conferir à literatura a unicidade então julgada necessária, não se estranha sua adesão ao Modernismo ter causado tanto impacto naquela época. De repente, o escritor conservador transforma seus pontos de vista literários e rompe com os padrões convencionais.

Suas influências provêm de origens distintas, tanto no campo filosófico quanto na esfera cultural. Por sua atuação na diplomacia ele tem a oportunidade de percorrer diversos países da Europa, nos quais se atualiza artisticamente, entrando em contato com correntes pós-simbolistas que então despertavam no continente europeu. Assim, ao retornar para o Brasil, ele traz consigo estes novos ideais e procura inseri-los na literatura brasileira.

Em 1922, Graça Aranha participa da Semana de Arte Moderna com um discurso de apresentação no Teatro Municipal de São Paulo, empreendendo uma contundente crítica às instituições que tentavam ditar as regras estéticas, decidindo o que era de bom gosto e de bom senso. Em 1924 ele não hesita em realizar na própria Academia de Letras uma palestra, intitulada ‘O Espírito Moderno’, que marca sua ruptura definitiva, na qual afirma ser este estabelecimento um equívoco, pois não consegue absorver as mudanças. O autor morre na cidade do Rio de Janeiro, no dia 26 de janeiro de 1931.

Além de Canaã, sua criação de maior valor, ele publicou: Malazarte, de 1911; A Estética da Vida, de 1921; Espírito Moderno, de 1925; Futurismo (manifesto de Marinetti e seus companheiros), de1926; A Viagem Maravilhosa, de1929; e O Manifesto dos Mundos Sociais, de 1935.

Fontes
http://www.mundocultural.com.br/literatura1/ pre-modernismo/gracaaranha.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7a_Aranha
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tobias_Barreto_de_Meneses