Martinho Lutero

A história conta que em um dia de tempestade, por volta de 1500 na Saxônia, Reino da Alemanha, fenômenos naturais destravam uma chuva de raios. Nesse dia, Martinho Lutero, muito assustado com a quantidade enorme de descargas elétricas que via cair ao seu redor, faz uma promessa: saísse vivo dessa situação, dedicaria sua vida à religião, ao monastério. Viveu.

Lutero foi responsável por uma revolução religiosa, subjugando o poder do Papado Católico, o poder de Roma e modificando para sempre o caminho religioso e espiritual na sociedade.

Martinho vem de uma família simples, porém exigente, obteve duas graduações antes de adentrar o monastério.

Um sentido de dúvida o acompanhava sempre. Experimentava crises de depressão constantes e se considerava um pecador incorrigível, mesmo depois de entregar-se à vida religiosa. Era um sujeito dado à música e tocava Alaúde na universidade.

Na vida monástica, desenvolveu estudos na área da teologia, formou-se doutor.

Em suas primeiras missas, inseguro, foi criticado sobretudo por seu pai. Porém tinha como guia espiritual, no monastério, um tutor compreensivo e perspicaz que o auxiliou nos momentos de profunda depressão.

Seu Tutor, observando as necessidades de Lutero, convencido de sua inteligência e potencial, o enviou a Roma com uma missão burocrática..

Ao cruzar os portões da "metrópole", encontrou uma cidade deturpada, um mercado da fé. Haviam prostíbulos exclusivos para monges, vendas de artigos e imagens religiosas, com promessas de salvação.

O que mais o impactou, foi a venda de indulgências. A Igreja vendia papéis (indulgências) e uma vez obtidas o comprador ganhava desde a diminuição de seu sofrimento no purgatório pós morte, até a absolvição absoluta de seus pecados.

Estava em leilão uma passagem direta ao paraíso dependendo da quantia disposta.

Ao regressar à Alemanha, as crises de consciência de Martinho Lutero se agravaram. Passou semanas sem falar uma palavra dento do convento, até que pressionado por seu tutor, confessou-lhe seu desgosto com os procedimentos da Igreja Católica em Roma. Lutero encontrava um paradoxo entre os ensinamentos da Teologia Cristã e á prática da religião, nas atitudes controversas do papado.

Enviado para Wittenberg, Lutero poderia exercer seu papel como padre, tornando-se responsável por orientar fiéis em missas e lecionar teologia. Lutero questionou a decisão porém seguiu o caminho indicado.

Aos poucos Lutero começa a questionar determinados dogmas da Igreja e ganha confiança e admiração dos camponeses da região.

Com objetivo de construir uma nova basílica, Roma intensifica a venda de indulgências e Lutero responde escrevendo suas "95 Teses", essas escrituras, foram divulgadas em toda a região rapidamente e até hoje são base do protestantismo.

Lutero pregava a salvação com base no amor a Cristo, no verdadeiro arrependimento dos pecados e na compaixão e desafiava as doutrinas papais, dizendo que apenas as escrituras eram capaz de mostrar a verdade. As arrecadações, com vendas de indulgências, chegaram a baixar em 80%.

Convidado a depor e forçado a abdicar de suas palavras e seus escritos, Lutero negou-se a fazê-lo. Foi excomungado.

Simularam um sequestro, com o real objetivo foi proteger Martinho. Nessa reclusão Lutero fez a tradução das escrituras bíblicas do novo testamento para Alemão.

Paralelamente, a sociedade vivia um momento anárquico, onde a distorção dos ensinamentos de Lutero geravam comportamentos violentos e milhares de camponeses morreram em retaliação. Martinho abandona sua reclusão e volta ao povo, encontra uma sociedade destroçada.

Nos anos que se seguiram, desde 1521, quando Lutero retornou de seu "sequestro", florescia aí a reforma protestante, o Luteranismo nascia. Com esforço Lutero conseguiu aos poucos abrir os caminhos para a liberdade religiosa. Casou-se, compôs hinos para seus discípulos e morreu de forma natural em 1546. Seu legado permanece vivo hoje.

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