Tipos Sanguíneos

Por Débora Carvalho Meldau
É conhecido que os seres humanos possuem sangue pertencentes a 4 grupos distintos:

  • Tipo A;
  • Tipo B;
  • Tipo AB;
  • Tipo O.

A existência de 4 fenótipos básicos para grupos sanguíneos humanos  no sistema ABO ocorre, porque existem 3 alelos distintos que ocupam o mesmo locus cromossômico que diz respeito ao tipo de sangue. São eles:

  • Alelo IA;
  • Alelo IB;
  • Alelo i.

Este é um caso de polialelia ou alelos múltiplos. Neste caso, os alelos IA e IB possuem co-dominância entre si, mas não são dominantes sobre o alelo i, que é recessivo para ambos. Desta forma, são observados:

  • 3 pares de alelo na natureza, que são: IA, IB e i;
  • 4 fenótipos distintos são possíveis: sangue A, sangue B, sangue AB e sangue O;
  • 6 genótipos distintos são possíveis: IAIA, IAi, IBIB, IBi, IAIB e ii.

Quando o IA está presente no genótipo de um indivíduo, há a indução da produção de uma proteína especial que se acopla à membrana das hemácias, chamada de antígeno A ou aglutinogênio A. Esse mesmo gene também condiciona a capacidade de concepção do anticorpo B ou aglutinina anti-B, encontrado no plasma do mesmo indivíduo.

Já o indivíduo que apresenta o gene IB no seu genótipo sintetiza uma proteína distinta, conhecida como antígeno B ou aglutinogênio B, também acoplado a membrana das hemácias. Da mesma forma, este indivíduo produz um anticorpo, mas neste caso, é o anticorpo A ou aglutinina anti-A, também encontrado em seu plasma.

Indivíduos que possuem os alelos IA e IB sintetizam antígenos de ambos os tipos (antígenos A e B) e, portanto, não sintetizam nenhum tipo de anticorpo.

Os indivíduos homozigóticos ii não sintetizam antígenos específicos para grupos sanguíneos do sistema ABO; contudo, possuem a capacidade de sintetizar os dois tipos de anticorpos: A e B.

Genótipos

Fenótipos

Hemácias

Plasma

AA ou IAIA

AO ou IAi

Grupo A

Produção de antígeno do tipo A

Presença de anticorpo B

BB ou IBIB

BO ou IBi

Grupo B

Produção de antígeno do tipo B

Presença de anticorpo A

AB ou IAIB

Grupo AB

Produção de ambos os antígenos

Ausência de ambos os antígenos

OO ou ii

Grupo O

Não há produção dos antígenos referidos

Presença de anticorpos A e B

Também há outra proteína que procede como antígeno e que também está localizada na membrana das hemácias, que é o fator Rh. Nem todos os indivíduos possuem esta proteína, sendo que os que a apresentam são conhecidos como Rh positivos, enquanto as que não a apresentam são conhecidos como Rh negativos.

O nome Rh é oriundo de sua descoberta, uma vez que esta proteína foi primeiramente identificada no macaco Rhesus (atualmente conhecido pelo nome científico de Macaca mulatta) e identificado nos seres humanos somente tempos depois.

Este fator funciona independentemente do sistema ABO. O aglutinogênio Rh ou antígeno Rh possui produção condicionada pela ação dos genes específicos. A herança do fator Rh não se deve somente a 1 par de alelos, mas sim à atividade concomitante de 3 pares de alelos em cada indivíduo, sendo todos localizados no mesmo cromossomo (alelos C, D e E). Cada um desses genes apresenta o seu alelo recessivo correspondente. Foi observado, no entanto, que o par D é o responsável pela produção da maior parte do aglutinogênio conhecido como RH. Por esse motivo, o termo fator Rh pode ser substituído por fator D, sendo utilizados os termos antígeno D ou aglutinogênio D e anticorpo anti-D ou algutinina anti-D.

Vale ressaltar que a produção de aglutininas anti-D tipicamente ocorre apenas em indivíduos D- após exposição à transfusão de sangue errada, com D+. Contudo, existe outra possibilidade de um indivíduo se sensibilizar ao fato D mesmo sem transfusão de sangue. Isso ocorre em uma mulher que possui Rh- ou D- que gera um filho Rh+ ou D+. Normalmente, durante a gestação, quando não há lesão na placenta, não há a passagem de hemácias do sangue do feto para a circulação materna. Todavia, após o parto, quando há o deslocamento da placenta, a mesma deixa na cavidade uterina um considerável volume de sangue fetal, D+. Neste momento, os vasos sanguíneos da mãe estão expostos, ocorrendo uma invasão de hemácias com o fator D+ do sangue fetal. A partir desse momento, o organismo da mulher passa a sintetizar os anticorpos anti-D.

Transfusões e Incompatibilidade Sanguínea

Nos procedimentos de transfusão sanguínea, é imprescindível que se conheça o tipo sanguíneo do receptor e do doador, uma vez que em casos de incompatibilidade sanguínea pode haver aglutinação do sangue, podendo levar à morte.

O antígeno A não pode entrar em contato com o anticorpo A, pois caso isso aconteça ocorrerá uma reação de coalescência entre as moléculas do anticorpo e as moléculas do antígeno, implicando na aglutinação das hemácias e destruição das mesmas. O mesmo ocorre se o antígeno B entrar em contato com o anticorpo B.

Deste modo, o quadro seguinte mostra quais as possíveis trocas sanguíneas por doação e recepção no sistema ABO. Na prática, também é importante conhecer o fator Rh (fator D) dos sangues.

Grupo Sanguíneo

Pode doar para:

Pode receber de:

A

A e AB

A e O

B

B e AB

B e O

AB

AB

A, B, AB, O

O

O, A, B, AB

O

Uma vez que os portadores do sangue O podem doar sangue para todos os grupos do sistema ABO, estes são considerados doadores universais. Já os indivíduos AB que podem receber sangue de qualquer grupo são conhecidos como receptores universais. Contudo, na realidade estas expressões podem ser utilizadas somente quando associadas ao fator Rh. Sendo assim, o verdadeiro doador universal é o indivíduo que possui sangue O Rh-, enquanto que o verdadeiro receptor universal é quem possui sangue AB Rh+.

Fontes:
http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Corpo/Circulacao5.php
http://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_sangu%C3%ADneo
http://www.mundovestibular.com.br/articles/384/1/GRUPOS-SANGUINEOS/Paacutegina1.html