Pergaminho

Por Emerson Santiago
Chama-se pergaminho o suporte para escrita desenvolvido na antiguidade, obtido a partir da pele de um animal, em especial cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha. Também conhecido pelo termo latino “vellum” (ou papel velino, referente ao pergaminho de melhor qualidade), o nome pergaminho é uma referência à cidade de Pérgamo, na Ásia menor, onde sua fabricação alegadamente se iniciou.

Ilustração: BortN66 / Shutterstock.com

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Quase tão antiga quanto a fabricação do papiro é a do pergaminho, obtido a partir de peles de cordeiro e bezerros recém-nascidos. Os primeiros pergaminhos eram quase iguais às peles de melhor qualidade da época (vellum), mas, durante o primeiro milênio a.C. desenvolveu-se uma técnica com a qual se obtinha um material de escrita melhor e mais branco, além do fato de que o papiro, planta da qual se extraía material similar, era encontrada somente em regiões de clima quente. Portanto, as populações do norte da Europa, habitando áreas de clima frio precisavam de uma alternativa prática para obter suporte para a escrita.

Primeiramente, as peles eram mergulhadas em água de cal e os pelos eram retirados. Depois, voltavam para um banho de cal e a seguir eram resfriadas sobre uma armação para secar. Durante a secagem, sua superfície era desbastada cuidadosamente com uma lâmina em forma de meia lua, tornando-a muito fina. Depois de secas, as peles eram lixadas com um pó fino de pedra pomes, tal como os dentistas fazem atualmente para polir dentes.

O pergaminho era então cortado em folhas retangulares que, como as folhas de papiro, eram unidas umas às outras pelas extremidades para poderem ser enroladas. No primeiro século d.C. descobriu-se um modo para guardar pergaminhos muito mais conveniente que os rolos. Cada folha retangular passou a ser dobrada uma, duas ou três vezes, cortando-se as bordas e formando assim um fólio, quarto ou oitavo. Essas folhas eram então encadernadas em capas de madeira fina e lisa. Tal volumen, como era chamado, deu origem aos livros, tais como são conhecidos atualmente.

Nessa mesma época, os chineses começaram a fabricar o papel, no qual empregavam inicialmente a polpa fibrosa que se encontra sobre a casca da amoreira. No século XIII, o papel começa a ser fabricado em diversos países da Europa, substituindo gradualmente o pergaminho, devido aos custos menores e simplicidade de manufatura. Até então, tanto na China como nos países islâmicos, o processo era completamente manual. Isso mudou em continente europeu, pois, ao utilizar refugo de linho para a fabricação de papel, surge a ideia de adaptar os moinhos de água para transformar os trapos em polpa. Desse modo, logo no final da Idade Média, algumas operações de fabricação do papel já utilizavam processos industriais.

Bibliografia:
Pequena História das Invenções. São Paulo: Abril S.A. Cultural e Industrial, 1976.