Colônia Cecília

Durante quatro anos (1890-1894), a Colônia Cecília foi uma experiência do anarquismo no Brasil. Sua fundação ocorreu nas terras de Palmeira, cidade do Paraná. O idealizador da Colônia Cecília foi Giovanni Rossi, anarquista e escritor italiano que, juntamente com mais cinco pessoas, povoou a colônia e deu início as atividades no local.

Esta pequena sociedade funcionava com base nos valores do anarquismo. Entre eles, podem ser citados o trabalho distribuído entre os colonos, o ateísmo, o amor livre, etc. No que se refere ao conceito de amor livre, era a forma descompromissada da vida em casais. Havia trocas entre os companheiros, inclusive Giovanni Rossi.

No segundo ano de existência da Colônia Cecília (1891), o número de habitantes da pequena comunidade chegou a 150, pois ela atraía alguns italianos adeptos das ideias anarquistas. O auge do local foi quando contou com cerca de 250 pessoas. Sua divulgação em território italiano, feita por Rossi, atraiu o interesse de alguns compatriotas que buscavam novas terras e desafios.

A sociedade da Colônia Cecília funcionava com decisões que eram tomadas em um local chamado Sala da Fraternidade, onde eram realizadas assembleias para definir os rumos da colônia. Neste local, todos os habitantes possuíam o direito de opinar e influir nas medidas a serem tomadas. Entre outros aspectos, Giovanni Rossi estabeleceu um método chamado pedagogia ácrata, considerada o ensinamento ao ar livre.

Ao contrário do que muitos pensam, Rossi foi simplesmente um idealizador da sociedade, não tinha atribuições de líder, embora fosse respeitado como um. Entre os membros da sociedade anarquista, encontravam-se pessoas com diversas formações e funções: agricultores, artesãos, trabalhadores braçais, analfabetos, professores, engenheiros, entre outros. Para obter uma renda fixa, produziam erva-mate e vinho, mas a maior parte dos alimentos conseguidos com o plantio servia para a subsistência.

Durante a época de seu funcionamento, a Colônia Cecília não era vista de forma positiva no Brasil. Isso se deve à suas características, que destoavam da sociedade brasileira de então, como o ateísmo. Com isso, houve a proibição de que os sicilianos enterrassem seus mortos no cemitério regional, fazendo com que eles fundassem o “Cemitério dos Renegados”. Em uma sociedade conservadora, a prática do amor livre também deixava os brasileiros ultrajados.

Entre os principais motivos para o fim da Colônia Cecília estão a miséria dos colonos, brigas e discórdia no que se refere à divisão de tarefas, ciúme derivado da prática do amor livre e o relacionamento dos sicilianos com os maragatos durante a Revolução Federalista. No último ano de sua existência a Colônia Cecília apresentava 50 habitantes. A história desta sociedade pode ser conferida em filmes e minisséries.

Fontes:
http://www.ifch.unicamp.br/ael/website-ael_publicacoes/cad-8/Artigo-1-p09.pdf
http://impregnantes.blogspot.com.br/2009/01/palmeira-pr-colnia-ceclia.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Giovanni_Rossi
http://www.culturaplural.com.br/colonia-cecilia

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