Amebíase

Mestre em Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas (FIOCRUZ, 2011)
Graduada em Biologia (UGF-RJ, 1993)

Também conhecida como disenteria amebiana, a amebíase é uma parasitose causada pelo protozoário Entamoeba histolytica. Este protozoário não possui flagelos ou cílios e o seu deslocamento ocorre por meio de pseudópodos, que são expansões do citoplasma. Habitam preferencialmente o intestino grosso (na forma de cistos), sendo o homem o seu único hospedeiro. Em condições normais, não causa doença, mas em algumas condições se torna patogênica, invadindo células e tecidos e provocando a doença. Existem relatos da parasitose em todo o mundo, que vão desde casos assintomáticos a casos graves, envolvendo órgãos vitais como pulmão ou cérebro, levando os pacientes à morte.

Cisto de Entamoeba histolytica. Foto: CDC

Transmissão

A transmissão ocorre pela ingestão de alimentos e água contaminados com os cistos das amebas. Em populações sem saneamento básico, o homem é obrigado a fazer suas necessidades no ambiente. Se as fezes estiverem contaminadas com o parasito, o ambiente (principalmente a água) se contamina. Esta água contaminada pode ser usada para beber ou irrigar plantações, fechando o ciclo, e infestando outros indivíduos. O período de incubação varia de sete dias a quatro meses. Os ciclos são resistentes e sobrevivem de 20 horas a 30 dias em diferentes meios (água, fezes frescas, massas e laticínios). Os insetos também ajudam a dispersar os cistos da Entamoeba histolytica.

Sintomas

Os principais sintomas compreendem dores abdominais, gases, cólicas intensas, náuseas, vômitos, diarreias, eliminação de sangue e muco com as fezes. São realizados também testes de ELISA que são bem mais sensíveis e específicos do que exames de microscopia, mas ainda não são usados com muita frequência em áreas endêmicas por possuir um custo elevado de realização.

Diagnóstico

Utiliza-se o exame parasitológico de fezes (EPF) com a identificação de cistos e trofozoítos do parasita. Este exame é feito coletando-se três amostras em dias alternados. A correta coleta das fezes é importante para que não haja contaminação cruzada e resultados falso-negativos. Podem ser utilizados também soros e exsudatos para o diagnóstico.

Tratamento

Para os casos graves, deve-se permanecer em repouso, utilizando uma dieta rica em proteínas e com hidratação constante. A medicação normalmente utilizada é o Metronidazol por 10 dias por via oral. Se o parasita invadir os tecidos, o tratamento deve contemplar todas as áreas afetadas pelo parasita. Ao término do tratamento, as fezes devem ser examinadas novamente para ter certeza de que a doença foi eliminada.

Prevenção

Várias medidas de prevenção podem ser adotadas, dentre elas:

  • proporcionar saneamento básico para toda a população;
  • utilizar sempre que possível água tratada para beber;
  • lavar as mãos antes e após as refeições;
  • lavar bem frutas e hortaliças e deixá-las de molho em uma solução de água sanitária e água (1 colher de sopa de água sanitária para cada litro de água)
  • filtrar e ferver (por no mínimo 20 minutos) água de poço ou rios antes de bebê-las;
  • evitar o contato com fezes humanas;
  • lavar com muita água e sabão se tiver tido contato com fezes humanas.

Bibliografia:

Amebíase. Disponível em http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=90&sid=8.

DULGHEROFF, ACB et al; Amebíase intestinal: diagnóstico clínico e laboratorial. Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.2, Pub.1, Agosto 201.

Soares, JL. Programas de Saúde. Editora Scipione.

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