Doença de Graves

Por Débora Carvalho Meldau
A doença de Graves, também conhecida por bócio difuso ou doença de Basedow-Graves, é uma doença auto-imune que leva a uma anomalia no funcionamento da tireóide. Caracteriza-se pela presença de hipertireoidismo, bócio, oftalmopatia e, em certas ocasiões, dermopatia infiltrativa ou mixedema pré-tibial.

Esta doença foi descrita pela primeira vez no ano de 1825 por Caleb Parry, na Inglaterra, sendo posteriormente, no ano de 1835, descrita Robert Graves, na Irlanda.

Aproximadamente 60 a 80% dos casos de hipertireoidismo são resultantes da doença de Graves. Existe uma predisposição familiar, já que 15% dos portadores apresentam casos dessa doença na família, e 50% dos familiares possuem auto-anticorpos contra a tireóide. Pode aparecer em qualquer idade, porém costuma surgir dos 20 aos 40 anos de vida. A prevalência é semelhante entre indivíduos caucasianos e asiáticos, e menor em indivíduos negros.

A etiologia ainda não foi completamente elucidada, mas acredita-se que os anticorpos levem à produção de hormônios da tireóide. Nesta doença os anticorpos irão ligar-se aos receptores de membrana do receptor de tireotropina (TSH), deste modo há a ativação ininterrupta de secreção dos hormônios tireoidianos, pois os anticorpos desempenham o papel do hormônio estimulante TSH. Os anticorpos responsáveis pelo hipertireoidismo normalmente são produzidos devido à auto-imunidade contra a tireóide.

As manifestações clínicas estão divididas entre as comuns a qualquer forma de hipertireoidismo e nas que são específicas para a doença de Graves. Com relação ao hipertireoidismo são encontrados calor excessivo, aumento do ritmo intestinal, suor excessivo, nervosismo, perda de peso, taquicardia, inchaço dos dedos, pele úmida e dores musculares. Dentre os sintomas que não estão relacionados com o excesso de hormônio tireoidiano circulante estão:

  • Oftalmopatias: exoftalmia (olhos saltados), retração palpebral, olhos avermelhados, inchado ao redor dos olhos, sensação de olhos secos ou de pressão nos olhos e, em raras ocasiões, perda de visão e problemas na córnea;
  • Dermopatias: normalmente ocorre a nível pré-tibial ou dorso do pé, mas pode ocorrer em outras regiões. Normalmente as lesões são assintomáticas, todavia, podem ser pruriginosas e dolorosas.
  • Bócio difuso;
  • Hiperplasia linfóide;
  • Acropatia tireoidiana.

No paciente eu apresenta hipertireoidismo e bócio difuso, apenas os sinais de oftalmopatia e dermopatia são suficientes para a confirmação do diagnóstico. Exames laboratoriais também são utilizados no diagnóstico, pois evidenciam o aumento dos níveis de T4 e TSH na corrente sanguínea, bem como anticorpos contra a tireóide.

O tratamento irá variar de acordo com a fase da doença. Existem fármacos que auxiliam no controle sintomático do hipertireoidismo causado por essa doença, por meio do uso de β-bloqueadores e na redução da síntese de hormônios tireoidianos por meio da administração de tionamidas, iodo radioativo ou cirurgia. Existem fármacos que também são utilizados nos casos de oftalmopatias, bem como cirurgias nos casos de estrabismo ou quando os músculos oculares encontram-se muito inchados; pode também ser realizada uma cirurgia plástica para corrigir a exoftalmia.

Fontes:
http://www.clinicabelfort.com.br/pt/sua-saude/doencas/doenca-de-graves/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_de_Graves
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/am/v22n4-5/22n4-5a07.pdf
http://www.medicinageriatrica.com.br/2008/01/15/doenca-de-graves/

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