Neuralgia do trigêmeo

Por Débora Carvalho Meldau
A neuralgia do trigêmeo, também conhecida como nevralgia do nervo trigêmeo, síndrome da dor facial paroxística, doença de Fortherghill ou prosopalgia dolorosa, consiste em um distúrbio neuropático do nervo trigêmeo que leva a episódios intensamente dolorosos dos lábios, gengivas, bochechas, mandíbula e infrequentemente da região inervada pela divisão oftálmica do quinto par craniano.

Ainda não se sabe ao certo qual a etiologia de todos os casos clínicos desta afecção. De acordo com observações clínicas, foi levantada a hipótese de que a neuralgia do trigêmeo seja resultante da compressão do nervo trigêmeo por vasos ou tumores. Deste modo, a mielina presente nas células nervosas é removida das mesmas levando à despolarização anormal, com a presença de impulsos ectópicos, que se manifestam na forma de dor.

Este distúrbio afeta mais comumente indivíduos do sexo feminino, numa proporção de 3:2, habitualmente em indivíduos acima dos 40 anos de idade, com concentração de casos entre os 60 a 70 anos. A manifestação em ambos os lados ocorre em somente 3% dos indivíduos acometidos.

O quadro clínico é caracterizado por dor abrupta e lancinante, caracterizada como um choque doloroso, intenso e incapacitante. Esta é considerada uma das afecções mais dolorosas do mundo. Toques e movimentos mínimos podem exacerbar uma intensa crise. Findada esta última, a dor e a sensibilidade costumam diminuir; todavia, este período de remissão tende a encurtar ao passo que a afecção progride.

A dor pode ser desencadeada por atos rotineiros, como ingerir líquidos, escovar os dentes, mastigar, tocar suavemente no rosto, certas expressões faciais, reflexos ou até mesmo por um vento mais intenso.

O diagnóstico desta patologia é exclusivamente clínico, de acordo com os critérios estabelecidos pela International Association for the Study of Pain (IASP) e pela Internacional Classification of Headache Disorders/International Headache Society (ICHD/IHS), que são:

  • Ataques paroxísticos (intensos) de dor, que duram de uma fração de segundos até cerca de dois minutos, acometendo uma ou mais divisões do nervo trigêmeo;
  • A dor apresenta, no mínimo, uma destas características: intensa, súbita, superficial ou como uma agulhada; precipitada por fatores-gatilho ou por áreas-gatilho;
  • Os ataques são semelhantes aos de outros pacientes previamente descritos;
  • Não é detectado clinicamente nenhum distúrbio neurológico;
  • Este quadro não é atribuído à outra desordem.

Existe a opção de tratamento medicamentoso e cirúrgico. O primeiro é tido como tratamento de eleição e é realizado comumente com anticonvulsivantes, como a carbamazepina e/ou difenilhidantoína, além dos narcóticos. Fármacos que conferem efeito analgésico podem ser utilizados para abrandar a dor.

Caso o tratamento medicamentoso não leve ao resultado esperado, parte-se então para a segunda opção. Dentre as opções de tratamento cirúrgico estão: a alcoolização (injeção de álcool nos ramos periféricos), a microdescompressão vascular e a termocoagulação com radiofrequência. Também há a opção de alternativas menos invasivas, como a eletroestimulação.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Neuralgia_do_trig%C3%AAmeo
http://www.revistacirurgiabmf.com/2004/v4n4/pdf/v4n4.1.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rba/v54n6/en_v54n6a15.pdf

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