Síndrome de Legg-Calvé-Perthes

Por Débora Carvalho Meldau
A síndrome de Legg-Calvé-Perthes, também conhecida como doença de Perthes, consiste em uma desordem degenerativa, que afeta as articulações do quadril, caracterizada pela necrose da cabeça do fêmur.

Possui incidência de 15 por 100.000 indivíduos, sendo mais comum no sexo masculino e raramente observada em afrodescendentes e chineses. É comumente observada em crianças entre os 3 aos 12 anos de idade e pouco comum em adultos. Além dos humanos, também tem sido descrita em outras espécies de mamíferos, como cães de pequeno porte.

Esta condição foi descrita primeiramente por Waldenström, no ano de 1909; todavia, atribuindo-a a tuberculose. No ano de 1910, Arthur Legg, nos Estados Unidos, Jacques Calvé, na França e George Perthes, na Alemanha, apontaram esta necrose como sendo uma entidade única e idiopática.

Até o momento não foi elucidada a causa da necrose da cabeça do fêmur. Contudo, alguns especialistas acreditam que esta condição possa ser causada por traumas, inflamação, alterações endócrinas, nutrição inadequada e fatores genéticos. A teoria mais aceita é a deficiência da irrigação arterial da epífise.

A manifestação clínica mais característica desta desordem é a claudicação, em certos casos acompanhados de dor e limitação de movimentos do quadril, associada à contratura muscular. Em alguns casos pode haver somente dor indefinida na coxa e joelho. O quadro pode evoluir para atrofia da coxa e panturrilha e, subsequentemente, pode haver diminuição do comprimento do membro inferior acometido, em decorrência do achatamento da cabeça do fêmur, da fusão da cartilagem de crescimento situada na epífise óssea e pala ausência de estímulo para o crescimento, resultante do repouso do membro acometido.

A evolução desta síndrome é dividida em quatro estágios distintos, que são:

  • Condensação: ocorre a necrose uma parte da cabeça do fêmur e a parada do crescimento do osso.
  • Fragmentação: nesta etapa há a reabsorção e fragmentação do osso necrótico.
  • Reossificação: a cabeça femural é revascularizada e, consequentemente, há a produção de massa óssea.
  • Remodelamento: quando há o novo crescimento da cabeça do fêmur e do acetábulo.

O diagnóstico é feito com base no quadro clínico apresentado pelo paciente, sendo confirmado por meio de radiografias e ressonância magnética.

O tratamento tem como objetivo impedir a deformação da cabeça do fêmur e do acetábulo, bem como intervir no distúrbio de crescimento e impedir a instalação de artropatia degenerativa.

Esta desordem apresenta resolução espontânea. Desta forma, o tratamento de eleição é o conservador, baseado no repouso no leito com tração cutânea para aliviar a dor, redução da sinovite e ganho de abdução para melhorar a centralização do quadril. Contudo, é importante manter a mobilidade por meio de fisioterapia, hidroterapia ou natação. Quando houver risco de incongruência articular futura, deve-se optar pela cirurgia, que deve visar centralizar a cabeça do fêmur no acetábulo.

Fontes:
http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/traumato/doenca_legg/doenca_legg.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Legg-Calv%C3%A9-Perthes
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-36162011000100001&script=sci_arttext

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