Síndrome do Piriforme

Por Débora Carvalho Meldau
A síndrome do piriforme consiste em uma importante causa de dor na região glútea, devido a uma irritação causada no nervo ciático, decorrente do aumento de tensão ou espasmo do músculo piriforme.

O músculo piriforme trata-se de um músculo pequeno e profundo, que tem origem ao longo da superfície anterior do sacro, seguindo posterolateralmente pelo sulco isquiático, terminando no trocanter maior do fêmur. Possui função primária de rotação externa do quadril e abdução do mesmo. Na maior parte dos indivíduos, o nervo ciático passa por baixo desse músculo; contudo, em uma pequena parcela da população (aproximadamente 10%), o primeiro passa através do segundo, aumentando a predisposição para o surgimento da síndrome.

A primeira descrição desta patologia foi feita no ano de 1928, por Yeoman. No entanto, somente em 1947 foi que esta síndrome foi descrita na literatura com maiores detalhes, por Robinson. Este, por sua vez, nomeou a patologia de síndrome, pois relatou seis achados que compunham o quadro:

  • Histórico de trauma na região sacro-ilíaca e glútea;
  • Dor na região sacro-ilíaca, escoltadura ciática maior e piriforme que migra para a coxa, ocasionando dificuldade para deambular;
  • Aumento da intensidade da dor quando o paciente se encontra na posição sentada ou em pé ou, parando abruptamente quando o mesmo caminha;
  • Aumento de volume palpável e doloroso, ao exame do músculo piriforme por meio de toque retal;
  • Dor durante a elevação do membro inferior com o joelho estendido enquanto o paciente encontra-se deitado de costas (chamado de sinal de Lasegue);
  • Atrofia glútea, dependendo da duração das manifestações clínicas.

Hoje em dia esta síndrome é descrita como sendo um encarceramento do nervo isquiático (ciático), resultando em dor abrangendo na região glútea irradiando para toda a região inervada pelo mesmo.

Até o momento não existe um consenso entre os pesquisadores a respeito de uma causa comum do surgimento desta patologia. Em metade dos casos, há histórico de traumas na região pélvica ou glútea. O trauma pode ocasionar inflamação, edema e espasmo do músculo piriforme, levando a compressão do nervo contra o ísquio. As inflamações crônicas do piriforme habitualmente são consequentes de uma variação anatômica, como, por exemplo, a passagem anormal do nervo ciático através do músculo piriforme. Outra possível causa são infecções.

Os pacientes relatam a presença de uma dor profunda na região glútea que queima e, normalmente, desce pela perna. Esta dor pode intensificar-se durante o movimento de abdução da coxa.

O diagnóstico é feito com base na presença dos seis critérios descritos por Yeoman expostos acima. Alguns exames de imagem como radiografias, tomografia computadorizada axial e ressonância magnética nuclear da coluna podem ser solicitados para verificar se há a existência de alguma lesão. Todavia, é importante ressaltar que não é possível evidenciar a irritação do nervo ciático na região do músculo piriforme por meio de radiografias.

Inicialmente, o tratamento visa o controle da inflamação, da dor e do espasmo muscular (caso esse esteja presente). Dentre outras medidas que devem ser adotadas estão:

  • Correção de fatores biomecânicos desencadeadores da síndrome;
  • Fisioterapia que deve vir acompanhada de aconselhamento do paciente a respeito de exercícios domiciliares que podem ajudar a potencializar a abordagem fisioterapêutica;
  • Injeções locais de esteróides;
  • Injeção de toxina botulínica pode auxiliar no alívio da dor;
  • Cirurgia exploratória do nervo ciático;
  • Tenotomia do músculo piriforme, realizada somente em último caso.

A melhor maneira de prevenir a síndrome do piriforme é mantendo os músculos, que participam do movimento de adução e abdução, alongados e fortalecidos. Além disso, antes de praticar qualquer atividade física, é de extrema importância realizar aquecimento adequado.

Fontes:
http://www.clinicadoquadril.com.br/doencas/piriforme.htm
http://www.clinicadeckers.com.br/html/orientacoes/ortopedia/069_sin_piriforme.html
http://www.priscilafrietzen.com.br/2009/04/09/sindrome-do-piriforme/
Síndrome do piriforme: uma revisão da literatura – Carlos Michell Torres Santos, Carlos Umberto Pereira e Aníbal de Araújo Morais. Jornal Brasileiro de Neurocirurgia, 2009.

AVISO LEGAL: As informações disponibilizadas nesta página devem apenas ser utilizadas para fins informacionais, não podendo, jamais, serem utilizadas em substituição a um diagnóstico médico por um profissional habilitado. Os autores deste site se eximem de qualquer responsabilidade legal advinda da má utilização das informações aqui publicadas.