Tráfico internacional de drogas

Por Emerson Santiago
O Tráfico internacional de drogas ilícitas é um fenômeno que já nos acompanha há um certo tempo. Desde o início dos anos 80 presenciamos a escalada de crimes relacionados à comercialização clandestina da droga, além do consumo desenfreado e da verdadeira economia paralela que o tráfico foi capaz de gerar neste tempo todo. Seu crescimento está intimamente relacionado à crise econômica mundial, que, ao provocar a queda dos preços de produtos da economia tradicional, forçam os agricultores empobrecidos de alguns países a produzir a coca, produto de rentabilidade altíssima.

O narcotráfico, desse modo, chega até mesmo a influenciar as economias dos países produtores de coca. É a América Latina a principal produtora de cocaína, em especial Peru, Bolívia e Colômbia, com produções que abastecem constantemente os Estados Unidos e Europa. A corrupção em torno deste comércio ilegal é generalizada, sendo que nenhum setor destas sociedades esté totalmente desligado deste comércio.

De fato, o montante de dinheiro aplicado ao tráfico de drogas é superado mundialmente apenas pelo tráfico de armas, sendo até mesmo mais lucrativo que o comércio de petróleo. Nos últimos 30 anos, cresceu espetacularmente, apesar da intensa repressão promovida especialmente pelo governo dos Estados Unidos.

Estima-se que o dinheiro aplicado neste comércio ilícito atinja a soma de 500 bilhões de dólares, sendo que os custos de produção e de transporte, incluindo nesta conta os subornos constituem números irrisórios a serem descontados do lucro, pelo simples fato da atividade permanecer totalmente clandestina, o que equivale a dizer que, as grandes apreensões de droga que povoam a mídia em geral, muitas vezes não constituem um grande revés para o produtor ou traficante profissional.

A base para um comércio tão rentável pode ser encontrada na explosão do consumo e da popularização da droga, especialmente nos países desenvolvidos. Entre os setores da sociedade que constituem o principal alvo deste comércio encontram-se aqueles mais golpeados pela falta de perspectivas, como a juventude condenada ao desemprego crônico e à falta de esperanças, assim como os filhos das classes abastadas que sentem a decomposição social e moral.

O tráfico foi sempre um negócio capitalista, organizado como uma empresa estimulada pelo lucro, favorecendo, ao mesmo tempo, o sistema financeiro mundial, que sempre necessita de dinheiro, e, ao processar dinheiro vindo da droga, torna-se tão somente um ente especulativo, desvinculando-se da economia produtiva, drenando recursos e interesses correspondentes ao desenvolvimento econômico real e à produção. Assim, os narcodólares atuam nas duas pontas da cadeia de eventos do tráfico, retirando dinheiro "limpo" de circulação, inibindo investimentos em projetos sérios de crescimento, desenvolvimento, e alimentando, por outro lado o desemprego e a decadência que forçam o aumento do consumo.

Bibliografia:
COGGIOLA, Osvaldo. O tráfico internacional de drogas e a influência do capitalismo In: Revista Adusp, agosto de 1996 . Disponível em: http://www.adusp.org.br/revista/07/r07a07.pdf . Acesso em: 20 ago. 2011.