Inflação

Por Edson Canal Girardi
A inflação pode ser conceituada como um aumento generalizado e continuo dos preços: ocorre em todos os setores da sociedade, sem distinções, e ao mesmo tempo. Isso ocorre continuamente em um período de tempo, não sendo um aumento somente por causa de um excesso de procura.

Como ela representa uma elevação nos preços, significa que, consequentemente, há uma desvalorização da moeda em questão. É gerada por uma mal administração da economia, que faz com que haja uma “guerra” para controle de estoque de moeda, não sendo este sua única causa: há também os conflitos entre salários e preços, em que a classe baixa sai perdendo, dado o alto poder de corrosão da inflação perante seus salários.

Alguns economistas defendem a tese de que a inflação, se controlada a patamares baixos, tem utilidade à economia em geral, pois a estabilidade completa dos preços pode levar à deflação, tão ou até mais destrutiva que a inflação: esta consiste na queda dos preços abruptamente, levando a crises por causa de falências e desemprego, tendo um efeito cascata semelhante è inflação também.

Um exemplo clássico de inflação foi a época do imperador Diocleciano: os denários, moeda da época, antes fabricados somente com ouro, passaram a ser fabricados com impurezas também. Isto causou aumento dos preços (havia muita moeda circulante no mercado), e o imperador ditou um decreto em que o mercador que aumentasse seus preços seria punido com a morte.

A inflação provoca distorções na economia, sendo as principais:

- Efeito sobre a distribuição de renda, em que assalariados que dependem de prazos legais de reajustes não conseguem acompanhar o aumento de preços;

- O balanço de pagamentos sofre déficit, pois os produtos nacionais tornam-se muito caros. Assim, é mais fácil importar, o que faz com que haja muita saída de capitais do país, fazendo os preços se elevarem, tornando-se um círculo vicioso;

- Há um desestímulo para a aplicação nos mercados de capitais, pois o valor da moeda se desvaloriza muito rapidamente. Por outro lado, incentiva a aplicação em bens imóveis, como sítios, fazendas, casas,etc. pois os mesmos tendem a valorizar-se mais rapidamente;

- As expectativas sobre o futuro: a classe empresarial, especialmente, tende a ser mais sensível em relação à isso: os investimentos decrescem, tornando a economia cada vez mais frágil.

Há dois tipos clássicos de inflação: de demanda, em que há dinheiro demais para poucos bens produzidos, e de custos, quando o aumento dos custos de fabricação são repassados aos preços dos produtos finais – como quando há aumentos sucessivos de salários.

O Brasil usa como forma de medir a inflação as médias aparadas: são cortadas as maiores altas e as maiores baixas para chegar a uma média. Em outros países, como os Estados Unidos, são medidas as taxas de produtos mais sujeitos a choques, como alimentos. Em terras brasileiras, a inflação já chegou até mais de 2.700% ao ano; mas com o advento do Plano Real (1994), ela foi controlada e hoje gira em torno de 6 a 8% ao ano.