A educação segundo Júlio Groppa Aquino

Por Ana Lucia Santana
O psicólogo Júlio Groppa Aquino, mestre e doutor em Psicologia escolar pela USP, livre-docente da Faculdade de Educação desta Universidade, é um dos nomes mais controvertidos da esfera educacional; ele é famoso por suas discussões acaloradas e opiniões apimentadas sobre temas ligados a este campo.

Seus ensaios e escritos incendeiam os debates sobre a educação contemporânea, seja nos aspectos da violência, da indisciplina ou nos do papel da família, fatores que incidem diretamente na rotina escolar. Colunista dos veículos Nova Escola e Educação, o professor não se limita a estimular a fogueira, mas vai mais longe, tecendo raciocínios e insistindo na necessidade de modificações urgentes na área da educação.

Uma de suas inquietações centrais é a perpetuação de ações insurgentes dos alunos de uma fatia crescente das escolas nacionais, um problema que afeta cada vez mais o ambiente escolar, atingindo outros estudantes e os próprios professores, vítimas preferenciais da violência no contexto acadêmico.

Júlio não só traça um retrato fiel e meticuloso desta situação, mas principalmente aponta respostas que procuram solucionar esta problemática complexa. Seus estudos estabelecem que a indisciplina é um fator diagnosticado tanto por educadores quanto pelos quadros familiares; os que reclamam de sua ocorrência alegam que no mundo contemporâneo a educação é uma tarefa espinhosa.

Quem pensa que este problema é típico de países sub-desenvolvidos ou em desenvolvimento, está equivocado, pois ele repercute igualmente na esfera pedagógica de países com elevado índice sócio-econômico, tais como EUA, França e Espanha. Seja como for, os professores estão completamente sem rumo, sem saber se devem solucionar esta questão por meio de uma maior interação com os estudantes, ou através de sanções, entre outras possibilidades.

Júlio é também um crítico ferrenho da ação dos veículos de comunicação e se revela descrente de que o governo possa cuidar completamente de todas as crianças e jovens inseridos no meio escolar. Ele vê o papel democrático da escola em três níveis – no ingresso, na perseverança dos alunos e na aquisição de conhecimento.

Segundo este profissional, se nem mesmo o problema da entrada dos potenciais estudantes na esfera educacional foi solucionado, que dirá sua constância na trajetória educacional e, mais ainda, a conquista do saber. Quanto aos meios pedagógicos alternativos, como os oferecidos por Organizações Não-Governamentais, ele aponta a inexistência de um plano político-pedagógico e o amadorismo de muitas destas entidades.

Groppa concorda que a educação pode ser classificada como formal, quando é praticada por educadores no ambiente escolar; não formal complementar, sempre que for realizada pelas Ongs; e informal, no âmbito doméstico e familiar. Porém, ele alerta quanto á necessidade de distinguir suas diferentes faces, para que assim o exercício pedagógico não formal e o informal, ainda que sejam significativos, não arrebatem da práxis escolar sua singularidade.

Fontes:
http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=931
http://www.cpflcultura.com.br/site/2010/03/09/julio-groppa-aquino/
http://www.promenino.org.br/TabId/77/ConteudoId/36f76d2a-bd9f-4c09-8f85-c3ee6315ef76/Default.aspx