A influência da escola no processo de desinteresse do aluno pelas aulas de Química

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

A respeito das discussões propostas neste texto, o qual foi apresentado pelo autor em “Tema em Debate” no EDEQ-2012, no município de Porto Alegre/RS, argumenta-se a respeito dos aspectos que potencializam o (des)interesse dos alunos no espaço da sala de aula de Química, sinalizando assim a necessidade de propostas de formação de professores numa articulação mais estreita entre a escola e a universidade.

O processo de formação de professores de Química necessita ocorrer no espaço-tempo da escola num movimento de apropriação e pertencimento a área da Educação Química. Os aspectos históricos analisados e discutidos neste momento suscitam diálogos entre os pesquisadores da área, exigindo manifestações na forma de publicações e debates em eventos, uma vez que as inquietudes e as ansiedades dos professores na sala de aula podem ser (re)significadas no momento em que nos encontramos no coletivo.

A própria escola, como instituição, também contribui para perda do interesse dos alunos pelas aulas. A participação dos gestores e da equipe pedagógica na formação do currículo escolar interfere no trabalho do professor e tem reflexos dentro da sala de aula. Há manifestações de alunos no sentido de justificar seu desinteresse pelas aulas. Pelo fato de não pretenderem usar Química (ou qualquer outra Ciência da Natureza) em sua vida futura.

A estrutura da escola também é questionada pelos alunos. Aulas de Química que acontecem fora de um espaço adequado são questionadas por boa parte dos estudantes. Da mesma forma, há uma crítica dos estudantes em relação ao excesso de conversa na sala de aula, já que estão acostumados a aulas tradicionais nas quais apenas o professor pode ter voz. Alunos relatam que o que os faz perder o interesse é o fato de haver prova sobre os conteúdos e de não usarem nada disso em suas vidas, já que não serão químicos. Por sua vez, o aluno que não demonstra interesse pelas aulas de Química conseqüentemente não irá se envolver nas atividades propostas pelo professor. Neste sentido, cabe ao professor refletir sobre o significado que a proposta apresentada tem no interesse da turma.

O envolvimento dos alunos ocorre de forma heterogênea. O aluno que está desinteressado não se envolve nas atividades, não compreende os conceitos estudados pela turma, não tem um bom desempenho nas avaliações e, com isso, desinteressa-se pelas próximas atividades, reiniciando esse ciclo. Faz-se necessário, então, uma reflexão do próprio professor sobre sua prática no sentido de que possa resgatar também a esses alunos.

Referências:

GALIAZZI, Maria do Carmo; GARCIA, Fabiane Ávila & LINDEMANN, Renata Hernandez. Construindo Caleidoscópios – organizando unidades de aprendizagem. IN: MORAES, Roque & MANCUSO, Ronaldo. Educação em Ciências – produção de currículos e formação de professores. Ijuí: Editora da UNIJUÍ, 2004. p.65-84.

MALDANER, Otavio A. A formação inicial e continuada de professores de Química: professores/pesquisadores. 3 ed.. Ijuí: Editora Unijuí, 2006.

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