Castro Alves

Por Thais Pacievitch
Antônio de Castro Alves nasceu em 14 de março de 1847 na Bahia e é considerado o último grande poeta do Romantismo. Foi o escritor mais importante desta fase, a 3ª fase romântica chamada Poesia Social.

Esta fase que se iniciou, aproximadamente em 1860, é marcada pelas idéias liberais e democráticas e pelo envolvimento dos escritores por questões políticas e sociais. A obra de Castro Alves tem como características a indignação com tantas opressões e a compreensão dos problemas sociais. Sua poesia também possui um tom vigoroso e versos expressivos.

Castro Alves recebeu o apelido de Poeta dos Escravos, pois é na poesia abolicionista que ele melhor se sobressaiu. Nas obras Navio Negreiro e Vozes d’África o poeta denuncia as injustiças e clama por liberdade.

A poesia amorosa de Castro Alves é mais sensual do que o comum na época. A mulher aparece envolvida em um clima de erotismo e paixão e está muito próxima a ele. O amor, em suas obras, não é mais platônico.

Obras

- Gonzaga ou a Revolução de Minas
- Espumas Flutuantes (1870) única obra publicada em vida
- A Cachoeira de Paulo Afonso (1876)
- Os Escravos (1883) nesta obra está incluído o poema O Navio Negreiro também conhecido como Tragédia no Mar

Navio Negreiro é considerado um poema épico. Foi escrito no dia 18 de abril de 1868, mas foi tornado público no dia 7 de setembro deste mesmo ano quando foi declamado durante a sessão magna comemorativa da Independência.

É dividido em 6 partes:

1ª Parte) descrição do cenário em que a ação se passará. Exaltação ao belo natural:

‘Stamos em pleno mar...Doudo no espaço
Brinca o luar - dourada borboleta –
E as vagas após ele correm...cansam
Como turba de infantes inquieta.
(...)

2ª Parte) o poeta elogia os marinheiros. Exaltação do belo humano:

Nautas de todas as plagas!
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu

3ª Parte) uma visão do navio negreiro. Um quadro de tristeza e horror:

“Que cena infame e vil! Meu Deus! Meu Deus! Que horror!”

4ª Parte) descrição mais detalhada do navio. O escritor fala, também, sobre o sofrimento dos escravos:

“Era um sonho dantesco...”

5ª Parte) em oposição à desgraça dos negros aprisionados, temos a imagem do povo africano em sua terra natal:

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje...cúmulo de maldade
Nem são livres pra... morrer...

6ª Parte) presença da antítese: África livre X África que se beneficia com a escravidão:

E existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro bacante* fria!...
Meu Deus! Meus Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente* na gávea tripudia*?!...
Silêncio!...Musa! Chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto...
(...)

Bacante: mulher devassa, libertina
Impudente: cínico, sem pudor
Tripudia: diverte-se, humilha

Castro Alves foi um grande escritor e até hoje sua obra é analisada e estudada. Sua vida também foi muito curiosa, apesar de ter presenciado o enlouquecimento e suicídio do irmão - José Antônio. Teve diversos amores, mas ao que parece, foi com a atriz portuguesa Eugênia Câmara, que ele viveu um grande amor, pois é ela quem serve de referência para sua poesia lírica-amorosa.

Castro Alves viveu em um tempo de mudanças e transformações:

No mundo

- Questão Coimbrã em Portugal
- Positivismo
- Socialismo
- Charles Darwin e a teoria da evolução
- Lutas operárias

No Brasil

- Decadência da monarquia
- Luta abolicionista
- Guerra do Paraguai
- Pensamento republicano

No final de 1869, durante uma caçada, o escritor feriu o pé. Por causa disso, sofreu uma amputação. Após a operação se retirou para a Bahia e lá, a tuberculose piorou e no dia 6 de julho de 1871, O Poeta dos Escravos faleceu.