Eutanásia

Por Ana Lucia Santana

A expressão eutanásia origina-se do grego ‘eu’ – bom – e ‘thanatos’ – morte, o que nos leva à idéia da ‘boa morte’, ou seja, de uma morte sem dor ou sofrimento. Esta intervenção tem como objetivo, portanto, reduzir o tempo de vida de um paciente, através do controle de um médico orientado neste sentido.

Esta questão envolve princípios morais e éticos, decisões delicadas e difíceis, sempre acompanhadas de uma exaustiva controvérsia – assim, pode-se dizer que a Eutanásia pertence ao campo da bioética e do biodireito. De acordo com o Cristianismo, uma boa morte ocorre não na esfera orgânica, mas sim quando a pessoa está espiritualmente pronta para seguir o caminho que a conduzirá a Deus. Aliás, a doutrina cristã valoriza o sofrimento, e prega que a dor pode ser um meio de se alcançar a redenção, quando acompanhada da devida resignação.

O próprio Vaticano elaborou uma Declaração sobre este tema, na qual alega que a dor do paciente é uma extensão do sacrifício de Jesus pela Humanidade, à qual Ele não se furtou, obedecendo sempre os desígnios divinos. Assim, no sofrimento, o Homem se irmana ao Cristo, portanto é inclusive aconselhável, segundo o clero, evitar o uso excessivo de analgésicos, para de livre e espontânea vontade partilhar das dores de Jesus na Cruz.

A eutanásia também entra em choque com as orientações do Estado, que tem por obrigação resguardar a vida dos seus tutelados, enquanto por outro lado algumas pessoas querem se libertar dos seus padecimentos, abreviando a própria vida. No Brasil ela é considerada ilegal, mas independente de sua legalidade ou não, sempre há os que a defendem e os que a condenam, tendo como princípio o valor da vida. Os argumentos pró e contra mudam ao longo do tempo, mas o centro da questão continua sendo a existência humana.

A eutanásia é hoje dividida em várias categorias, correspondentes aos diversos tipos de ação: a ativa, na qual há a intenção de causar a morte para aliviar a dor do paciente; a passiva, quando a pessoa em estado terminal morre por carência de uma atitude da equipe médica ou pela suspensão de um tratamento, visando diminuir o sofrimento. Alguns também falam em eutanásia de duplo efeito, que ocorre como efeito de uma ação indireta dos médicos, que já tem por fim reduzir o padecimento do indivíduo terminal.

Quanto à aceitação do paciente, a eutanásia também pode ser classificada como voluntária, quando ele manifesta seu desejo de morrer para se libertar do sofrimento; involuntária, que ocorre contra sua vontade; e não voluntária, na qual a pessoa morre sem ter expressado sua posição quanto ao assunto. De qualquer forma, a eutanásia só é realizada quando o paciente se encontra com uma doença crônica, sem cura, geralmente envolvendo intenso sofrimento físico e mental.

É necessário saber a diferença entre eutanásia e ‘suicídio assistido’ – neste último caso, é o próprio paciente que causa sua morte, mesmo que para alcançar esse objetivo ele tenha que recorrer ao auxílio de outras pessoas. A distanásia é o caminho inverso ao da eutanásia. Seus partidários defendem que os profissionais da saúde se devem valer de todos os instrumentos acessíveis para dar ao paciente uma vida mais duradoura, mesmo que no momento não se veja nenhuma chance de cura e seus padecimentos sejam muito dolorosos. Seja como for, toda essa discussão está intrinsecamente ligada à questão da dignidade humana.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eutan%C3%A1sia
http://www.acidigital.com/eutanasia/index.html
http://www.ufrgs.br/bioetica/eutantip.htm