Designadores rígidos

Mestre em Filosofia (UFPR, 2013)
Bacharel em Filosofia (UFPR, 2010)

Designadores rígidos são termos, utilizados especialmente em lógica modal e filosofia da linguagem, que designam a mesma coisa em todos os mundos possíveis em que aquela coisa existe. Designadores podem ser do tipo persistentemente rígido ou obstinadamente rígido, sendo o seu oposto o designador flácido, aquele que não designará a mesma coisa em todos os mundos possíveis em que a coisa existir.

O principal filósofo a fazer uso de designadores rígidos, e contribuir para sua formulação e desenvolvimento, foi Saul Kripke, que estabeleceu o conceito em suas conferências Naming and Necessity, de 1976, como parte da argumentação contra o descritivismo. Antes de Kripke, a teoria da referência geralmente aceita em filosofia era a de que o significado de sentenças que envolvem nomes próprios seria dado pela substituição do nome por uma descrição adequada contextualmente. Kripke foi bem sucedido em apresentar uma teoria da referência histórico-causal na qual os nomes referem-se aos mesmos objetos em todos os mundos possíveis.

As principais questões envolvendo designadores rígidos são: Essencialismo; teoria causal da referencia, identidades necessárias; e a questão dos nomes próprios em relação a descrições definidas.

Conquanto o conceito de mundos possíveis seja disputado, existindo mais de uma formulação para o mesmo conceito, para a finalidade de compreender os designadores rígidos, um mundo possível pode ser entendido como uma situação contrafactual. Uma situação que não é o fato, tal como aconteceu na realidade, mas que possui as condições para ter acontecido, de modo que, caso isto ocorresse, o mundo seria diferente, um outro mundo seria possível.

Quanto a seus tipos, os designadores persistentemente rígidos serão aqueles que designam a mesma coisa em todos os mundos possíveis nos quais aquela coisa existe e não designam qualquer coisa nos mundos em que aquela coisa não existem. Designadores obstinadamente rígidos, por outro lado, designam a mesma coisa em todos os mundos possíveis, mesmo se a coisa não existe naquele mundo possível em particular. Designadores flácidos, também chamados de não-rígidos, designam coisas diferentes em mundos possíveis diferentes. Por exemplo, enquanto "o quarto presidente do Brasil" foi de fato Campos Sales, isto poderia ser diferente, é possível supor uma situação contrafactual na qual Campos Sales não seja o quarto presidente do Brasil, os motivos para que esta situação constitua um mundo possível são diversos, por isto "o quarto presidente do Brasil" é um designador flácido. Por outro lado, segundo Kripke, não há um mundo possível no qual Campos Sales não seja ele mesmo, portanto, "Campos Sales" é um designador rígido.

Defensores do essencialismo científico utilizarão designadores rígidos para tratar de propriedades essenciais. Estes defenderão que, propriedades essenciais são comuns ao objeto em todos os mundos possíveis, de tal forma a designar rigidamente. O exemplo de Kripke é a "água", a "água" será "H2O"em todos os mundos possíveis, pois ter a composição H2O é uma propriedade essencial da água e qualquer coisa que não tenha esta composição não será água.

Isto implica em identidades necessárias. Se, de acordo com a semântica essencialista, água é H2O, então água será necessariamente H2O, uma vez que os termos "água" e "H2O" capturam os mesmos objetos em todos os mundos possíveis. Um cuidado importante deve ser notado na formulação de tal identidade, a forma correta é "se água é H2O, então água é necessariamente H2O", naturalmente, se água não é H2O, no caso de estarmos enganados quanto a composição da água, então não haverá identidade necessária entre água e H2O, mas entre água e a sua composição, seja ela qual for. Do ponto de vista essencialista científico, nós podemos não saber a composição de algo, mas a realidade não depende do nosso saber.

Referências bibliográficas:

GRAÇA, Maria Adriana S. S. Referência e Denotação. Um Ensaio acerca do Sentido e da Referência de Nomes e Descrições, Lisboa, F.C. Gulbenkian, 2003.

Kripke, Saul. Naming and Necessity. Harvard UP. 1980.

Kripke, Saul. O Nomear e a Necessidade. Tradução de Ricardo Santos e Teresa Filipe. Gradiva, Lisboa. 2012.

MARI, Hugo. Aspectos da teoria da referência. Belo Horizonte: FALE / UFMG, 2003.

Russell, Bertrand (1917), Knowledge by Acquaintance and Knowledge by Description.

Steinman, Robert. "Kripke Rigidity versus Kaplan Rigidity", Mind,1985, XCIV: 431-442.

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