Curupira

Por Rosalina Rocha Araújo Moraes
A Origem

O curupira é um personagem lendário da cultura brasileira que habita as florestas. Apesar de ser originário da região da Amazônia esse mito permeia o imaginário de crianças e adultos de norte a sul do país. É um personagem muito antigo do folclore brasileiro. Os primeiros relatos sobre o Curupira datam, ainda do século XVI. Segundo a Wikipédia (enciclopédia livre da internet) a história do curupira já fazia parte do repertório do padre José de Anchieta no ano de 1560.

O protetor da natureza

Acredita-se que o curupira é o guardião da fauna e da flora, por isso mesmo utiliza estratégias para despistar os caçadores de seus alvos, fazendo-os perder o rumo ou mesmo deixando as caças invisíveis aos olhos do homem.
Para burlar a proteção do curupira e conseguir seu apoio em suas empreitadas, aqueles que se aventuram floresta adentro em busca de caçar, capturar animais ou mesmo extrair da floresta cascas, sementes, madeira, raízes, entre outros elementos oferecem pequenos mimos como fumo (tabaco) ou pinga (cachaça).

Natureza ruim?

O curupira não é uma criatura maléfica, ruim. Apesar de ser implacável com aqueles que entram em seus domínios para explorar a natureza (plantas e animais), é sabido que o curupira permite de bom grado a caça quando esta se destina à sobrevivência do caçador e de sua família. O que ele não tolera são as maldades: a caça por esporte ou brincadeira, a apreensão de filhotes indefesos, enfim a destruição discriminada da natureza e o uso inadequado dos recursos da mata.

Embora ele não seja malvado por natureza, ao pegar um caçador ou alguém fazendo maldades com as plantas ou bichos da floresta ele costuma ser implacável. Dizem os mais antigos, sobretudo do interior, que se ele não mata o sujeito judia1 tanto dele que acaba deixando-o abobalhado para o resto da vida, sem jamais saber o que houve.

Como é o curupira?

Esse espírito da floresta tem a aparência física parecida com a de uma criança: é de baixa estatura e não tem cara assustadora, porém tem o corpo coberto de pêlos. Sua pele é escura e seus calcanhares são voltados para a frente, pois seus pés são ao contrário dos pés dos humanos. Isso facilita seus truques na mata. Pois ele anda para um lado, mas seus passos indicam que ele seguiu o rumo contrário, confundindo os caçadores. Possui ainda uma farta cabeleira cor de fogo e os dentes verdes como esmeraldas.

Essa é a descrição mais popular desse ser, mas há variações dependendo da região do país. Em algumas regiões ele ganha orelhas grandes e compridas como as dos duendes, em outras ele perde a cabeleira e é totalmente careca. Há ainda a crença de que ele carrega uma arma (um machado), que dizem, é feito do casco de um cágado

Ao contrário de algumas histórias que pintam o curupira de um demônio malvado, diz a lenda que ele tem personalidade tranqüila e que adora ficar sossegado à sombra das árvores se deliciando com o frescor do vento e o sabor de frutas como mangas e outras delícias silvestres.

O raptor de crianças

As histórias do curupira são usadas muitas vezes para assombrar as crianças da roça e fazer com que elas não se afastem muito de casa.

Contam os pais, os tios e os avós que o curupira adora roubar criancinhas. Na verdade o que diz a lenda é que assim como pode ter ódio da maldade dos adultos também pode se apaixonar pela inocência e doçura de uma criança.

Sozinho na mata sem ninguém para partilhar suas travessuras o curupira pode se encantar por uma criança e enfeitiça-la, levando-a consigo para seu reino na mata. No entanto é incapaz de lhes fazer algum mal.

Dizem que a criança raptada pelo curupira volta para casa misteriosamente depois de sete anos, quando já está se tornando adulta e, portanto começa a perder a graça da infância. Se ela, porém não retorna, não é porque tenha sido impedida, mas porque gostou tanto da vida na floresta que preferiu não voltar à civilização e permanecer eternamente no reino da floresta acompanhada do curupira.

1Judiar é um termo muito usado no interior e entre as pessoas de origem mais simples para designar maltratar.

FONTES CONSULTADAS

CASCUDO, Luís da Câmara. Antologia do folclore brasileiro. 2ª ed. São Paulo, Livraria Martins, 1954.
_________. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura / Instituto Nacional do Livro, 1954.
Enciclopédia Compacta Brasil - Larousse Cultural - Nova Cultural – 1995
http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/3contos/curupira.html
http://www.amazonia.com.br/folclore/lenda_curupira.asp
http://pt.wikipedia.org/wiki/Curupira