Totalitarismo

Por Antonio Gasparetto Junior
Totalitarismo é uma forma de governo no qual o mesmo é comandado rigidamente por uma única pessoa.

O fenômeno político que seria muito característico de diversos regimes no século XX nasceu durante a Primeira Guerra Mundial. O conflito forçou o direcionamento da produção dos países europeus para sustentar os recursos necessários no conflito. Os governos, então, passaram por cima das divisões burocráticas e democráticas dos Estados para responder às demandas de guerra, gerando, assim, poderes excessivos para governantes. Em resumo, o poder executivo, segundo a divisão clássica dos três poderes, ficou exaltado em relação aos demais.

Fruto desse momento histórico, relações desse tipo se espalharam pelo continente europeu e governantes passaram a não ter limite para autoridade, controlando aspectos da vida pública e privada. Para ampliar essa influência, o fator ideológico foi propagado para orientar governos e o povo. É dessa associação, autoritarismo e ideologia, que se construiu o Totalitarismo. De forma geral, os países que passaram por regimes totalitários foram comandados por partidos únicos, tiveram a exaltação da imagem de um governante, sofreram uma burocratização do aparelho estatal, sofreram também com a repressão política e ideológica, seguiram ideais patrióticos e ufanistas exacerbados, conviveram com a grandiosa propagada estatal e a censura e, nessa metade inicial do século XX, testemunharam a militarização e o expansionismo. Entretanto, como já dito anteriormente, além do fator autoritário, há também o fator ideológico, que é fundamental para distinguir regimes totalitaristas de esquerda e de direita. O primeiro caso é muito influenciado pelos resultados da Revolução Russa de 1919, logo, o Totalitarismo de Esquerda aboliu propriedade privada, coletivizou os meios de produção e suprimiu a religião. Todas características implementadas em regimes socialistas. Por outro lado, o Totalitarismo de Direita é fruto de uma ideologia conservadora que deu forte apoio à burguesia, se fundamentou em valores tradicionais, apoiou a religião e estabeleceu tutela sobre organizações sindicais. Essas características foram implementadas em regimes totalitários capitalistas.

Entre os casos de Totalitarismo de Direita, dois deles se destacaram na história da humanidade no século XX. Ainda como consequência da Primeira Guerra Mundial, o primeiro deles se firmou na Itália sob a imagem do governante Benito Mussolini. Seu regime autoritário e profundamente ideológico deu origem ao que se conhece como Fascismo. Por sinal, suas ideias foram assimiladas e adaptadas pelo homem que se tornaria o líder da Alemanha na década de 1930, Adolf Hitler. Com traços semelhantes, mas assumindo algumas características específicas, o Totalitarismo germânico recebeu o nome de Nazismo. Por outro lado, o Totalitarismo de Esquerda ficou especialmente caracterizado pelo regime socialista estabelecido por Stálin na antiga União Soviética. Assumindo as características descritas acima típicas do autoritarismo de esquerda, seu governo seguia a ideologia socialista e fazia uso do mesmo rigor. O caso soviético recebeu o nome de Stalinismo, por causa de seu líder no governo.

O Brasil também contou com um regime totalitário na primeira metade do século XX, representado pelo governo de Getúlio Vargas, especialmente na fase que se conhece como Estado Novo, entre os anos de 1937 e 1945. Esse período foi marcado pelo fechamento do Congresso e a grande concentração de poder nas mãos de Getúlio Vargas, que assumia, por sinal, características do fascismo italiano. Entretanto, seu regime foi quebrado quando entrou na Segunda Guerra Mundial para combater outros regimes totalitários, promovendo uma incoerência que minaria seu governo.

Fontes:
ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.