Relações entre os diferentes tempos do passado: imparfait / passé composé

* As relações imparfait / passé composé (imperfeito / passado composto)

Ouve-se dizer frequentemente que o “passé composé” é utilizado em uma ação pontual e que o imperfeito é utilizado em uma ação que dura bastante tempo. Mas não é assim tão simples.

- Observe:

...J’ai rencontré Marie le 15 septembre 2007 (Eu encontrei Marie em 15 de setembro de 2007);

...J’ai vécu en France pendant trente ans (Eu vivi na França durante trinta anos).

> Na primeira frase, o “passé composé” exprime uma ação pontual, datada, enquanto que na segunda frase a ação desenvolve-se durante uma duração longa, mas precisa, cujo começo e fim são indicados, mesmo que implicitamente.

> O ponto comum entre os dois casos é que a ação ou o acontecimento são vistos como terminados no passado.

- Observe:

...Avant, les femmes travaillaient aussi dur que les hommes (Antigamente, as mulheres trabalhavam tão duro quanto os homens) ;

...Je fermais la porte quand il est arrivé chez moi (Eu fechava a porta quando ele chegou na minha casa).

> Na primeira frase, o imperfeito indica bem que a ação se situa em um passado indeterminado, do qual não há como determinar as fronteiras, as margens, os limites.

> Na segunda frase, em revanche, o imperfeito indica um ponto de localização no tempo. Ele marca a quase simultaneidade entre duas ações (eu estava fechando a porta no exato momento em que ele chegou à minha casa). Mas, apesar de os dois fatos serem simultâneos, o fato descrito pelo verbo no imperfeito é em curso de acabamento, enquanto que o segundo fato, descrito pelo verbo no passado composto, terminou em um momento preciso do tempo.

- Em geral, quando há em uma mesma frase o “imparfait” e o “passé composé”, o imperfeito serve de plano de fundo, ou seja, ele vai indicar quais são as circunstâncias, qual é o ambiente, ou então ele indicará um comentário; o “passé composé” introduz o primeiro plano, quer dizer, ele vai introduzir a ação propriamente dita, o acontecimento, o que sobrevém.

! – Para nós, brasileiros, que temos na nossa gramática o mesmo (ou quase o mesmo) tipo de utilização para esses dois tempos verbais, fica ainda mais fácil compreender a regra. Em um caso concreto, em que surja a dúvida: devo utilizar o “passé composé” ou o “imparfait”?, uma ação que ajuda muito é formular outra pergunta: se esta frase fosse em português, eu utilizaria o pretérito perfeito ou o pretérito imperfeito do indicativo. Se você conhece razoavelmente bem, a língua portuguesa, a probabilidade de errar (em francês) é bem pequena.

Arquivado em: Francês