Alimentos transgênicos

Mestrado em Genética (UFMG, 2011)
Graduação em Ciências Biológicas (PUC-Minas, 2008)

A transgenia é um processo pelo qual organismos de uma espécie são modificados geneticamente através da introdução de material genético de outra espécie, utilizando técnicas de engenharia genética. Assim, os alimentos transgênicos são os alimentos derivados normalmente de sementes e plantas cujos materiais genéticos tenham sido modificados com o intuito de obter benefícios tanto para as plantações (resistência a herbicidas, produção de toxinas contra pragas das culturas agrícolas) quanto para os consumidores (aumento da qualidade nutricional ou produção de substâncias medicinais).

Há milhares de anos os seres humanos vêm apurando as culturas agrícolas através da seleção das melhores sementes para o plantio, alterando lenta e mecanicamente os genomas das plantas. O surgimento da tecnologia dos geneticamente modificados trouxe presteza para esse processo e fez com que as expectativas sobre as aplicações do melhoramento genético agro-alimentar fossem progressivamente aumentando.

Desde o início dos anos 2000, as culturas de alimentos transgênicos foram se consolidando como uma tendência global. Atualmente, 81% dos grãos de soja e 35% do milho crescido são transgênicos. Em todo o mundo, existem 28 países que cultivam plantas geneticamente modificadas e o Brasil é o segundo maior produtor com 36,6 milhões de hectares plantados, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Muito se argumenta em favor do uso de transgênicos e de seus benefícios, especialmente em como os recursos alimentares podem ficar mais disponíveis para a crescente população mundial, em particular, para os países famintos. Mas existe uma grande discussão mundial sobre o uso seguro de transgênicos para o ambiente e para a saúde da população, uma vez que não se sabe quais podem ser as consequências do uso destes a médio e longo prazo. No que diz respeito à saúde humana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização da ONU para Alimentação e Agricultura (FAO) afirmam não haver até hoje estudos que comprovem algum malefício causado pelos produtos transgênicos comercializados. Mas os países europeus e o Japão se opõem fortemente ao plantio e comercialização de alimentos transgênicos.

Um dos benéficios da transgenia seria a criação de culturas agrárias mais resistentes a pragas e que não necessitem de tantos defensivos agrícolas. Contudo, o uso contínuo de sementes transgênicas pode ter aumentado a resistência de ervas daninhas e insetos, fazendo com que o uso de agrotóxicos aumentasse gradativamente. Uma prova disso é que as lavouras de soja, milho e algodão, principais culturas das grandes empresas de transgenia, lideram o consumo de agrotóxicos no Brasil.

Outra preocupação em relação ao meio ambiente é o risco de escape gênico através da polinização cruzada entre as espécies transgênicas e as naturais não modificadas. O escape gênico pode levar à eliminação dos espécimes naturais que são menos resistentes a pragas e herbicidas, resultando em perda de variedade genética das populações de vegetais.

No Brasil, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva já relataram o surgimento de doenças ligadas ao consumo de transgênicos, como alergias, câncer, depressão, esterilidade, malformação congênita, problemas neurológicos e mentais, aumento da resistência a antibióticos, entre outros. Mas ainda faltam estudos oficiais, imparciais, aprofundados e abrangentes que possam testar a relação entre transgênicos e doenças crônicas, e que tragam esclarecimentos à população sem estarem ligados a grupos de interesses econômicos e políticos.

Referências Bibliográficas:

Especial Transgênicos – Impacto após mais de uma década de liberação no Brasil. Disponível em: < http://transgenicos.reporterbrasil.org.br/ >

Lallanilla, M. GMOs: Facts About Genetically Modified Food. 2016. Disponível em: < http://www.livescience.com/40895-gmo-facts.html >

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WHO (World Health Organization). Food, Genetically modified. Disponível em: < http://www.who.int/topics/food_genetically_modified/en/ >

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