Caça às Bruxas

Entre os séculos XV e XVIII a Europa (e também algumas colônias na América) testemunhou uma série de atos punitivos de cunho religioso que ficaram conhecidos “caça às bruxas” do início do período moderno. Trata-se de ondas regulares de perseguições motivadas pela crença geral do povo, que entendia ser necessário localizar e punir bruxas que praticavam ou supostamente praticavam rituais exotéricos. A estimativa é de 40 mil a 100 mil execuções por atos de bruxaria nestes quatro séculos.

Na Europa da época, havia a crença de que as bruxas e curandeiros eram auxiliados por entidades sobrenaturais conhecidos como espíritos familiares, que assumiam forma terrena, geralmente tendo a aparência de ambos os seres humanos ou animais. Elas costumeiramente viajavam para uma reunião noturna conhecida como sabá, onde adoravam o diabo, festejavam, e cometiam vários pecados.

O início da caça às bruxas ocorre durante a primeira metade do século XV no sudeste da França e oeste da Suíça. No Concílio da Basileia, estabelecido nesta cidade suíça entre 1431-1437, foi padronizado o estereótipo da bruxa satânica, propagado nos futuros julgamentos.

Após a reunião do Conselho, a ideia de que bruxas malévolas satânicas operavam contra a cristandade se espalha pelo Sacro Império Romano e áreas adjacentes. Em 05 de dezembro de 1484 , o Papa Inocêncio VIII emitiu a Summis desiderantes affectibus , uma bula papal em que reconhece a existência de bruxas, e apoia a inquisição a mover uma caça contra estas, dando permissão para fazer o que for necessário para se livrar delas.

Entre os mais famosos julgamentos de bruxaria estão os de North Berwick, na Escócia, os de Torsåker, na Suécia, além do julgamento ocorrido em Salem, nos Estados Unidos. Destacam-se ainda os julgamentos de Trier (1581-1593), Fulda (1603-1606), Würzburg (1626-1631) e de Bamberg (1626-1631), todos na Alemanha, por envolver um grande número de acusados.

Gradualmente, os intelectuais, influenciados pelas ideias humanistas começaram a manifestar-se contra os julgamentos, sendo que os últimos ocorrem no início do século XVIII. Na Grã-Bretanha, por exemplo, foi aprovada a Lei de Bruxaria, em 1735 que deixou de considerar a bruxaria como uma ofensa legal no país, punindo apenas a prática de charlatanismo (alegação de pretensos poderes paranormais) como criminosa, mas com penas muito mais leves.

Vários livros foram escritos sobre a bruxaria na mesma época, sendo provavelmente o mais notável desses trabalhos o Malleus Malificarum (O martelo das bruxas), publicado em 1486 e escrito pelo inquisidor alemão Heinrich Kramer, supostamente auxiliado pelo monge Jacob Sprenger. O livro era um pretenso guia para auxiliar magistrados na identificação e condenação de bruxas.

Bibliografia:
Witch trials in the early modern period (em inglês). Disponível em: < http://en.wikipedia.org/wiki/Witch_trials_in_the_early_modern_period >.