Publicanos

Por Ana Lucia Santana
Eram considerados publicanos os responsáveis pela arrecadação de taxas, tributos e impostos, no âmbito da Antiga Roma Imperial. Eles eram detestados e rejeitados pelos judeus, que não admitiam a cobrança de impostos, a qual, segundo os fariseus, que tinham como função zelar pela doutrina hebraica, ia contra a Lei de Moisés.

Como sua profissão assumia, de certa forma, um grau de periculosidade, já que eles eram vistos com maus olhos pelo povo judaico, muitos preferiam ignorar a forma como os publicanos ampliavam suas fortunas. Era fato, porém, que muitos deles agiam inescrupulosamente, cobrando em demasia das pessoas, e contribuindo, assim, para o comprometimento de todos os coletores de impostos públicos, mesmo dos que eram realmente honestos.

Alguns estudiosos estabelecem que havia dois tipos de publicanos: os gerais, a quem cabia velar pelos tributos cobrados dos judeus ante o Imperador; e os representantes de cada região, designados entre as próprias populações de quem as taxas eram arrecadadas, e considerados os verdadeiros ladrões e, portanto, pecadores diante da Lei Mosaica.

De qualquer forma, eles eram alvos da ira judaica, especialmente por parte dos fariseus, mas uma coisa é certa. Eles não agiam com hipocrisia, como a classe farisaica, que tanto defendia o legado de Moisés, mas não aceitava dividir seu espaço à mesa com os publicanos.

Isto fica claro na passagem do Evangelho na qual Jesus convida o ex-publicano Mateus, anteriormente denominado Levi, para com Ele compartilhar a refeição, e é incompreendido pelos fariseus (Mt 9:11). O novo discípulo, porém, ao ser chamado pelo Messias, deixou tudo de lado, inclusive sua profissão, e seguiu a vereda cristã.

Zaqueu também era publicano e, ao ouvir as pregações do Mestre Nazareno, converteu-se ao Cristianismo e devolveu a quantia exorbitante cobrada dos judeus quando exercia seu trabalho (Lc 19: 1-10). Aliás, era o que João Batista recomendava aos cobradores de impostos quando indagavam sobre como se comportar na profissão, nunca retirar das pessoas um centavo a mais do que lhes era devido (Lc 3:12-13).

Com o tempo esta expressão foi ampliada, englobando todos os que trabalham com as finanças públicas e seus funcionários; aos poucos ela adquiriu um sentido desagradável e torpe, referindo-se a todos os servidores sem escrúpulos e aos que promovem negociatas, bem como à riqueza conquistada de forma duvidosa.

Na época de Jesus, os judeus verdadeiramente se rebelavam contra a cobrança de impostos, e convertiam este problema em princípio religioso - algo inaceitável dentro das normas estabelecidas por Moisés. Alguns hebreus chegaram mesmo a constituir um partido que detinha considerável poder, liderado por Judas, o Gaulonita, combatendo prioritariamente a arrecadação de taxas públicas.

Fontes:
Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Edições FEESP, São Paulo, 1998.
Bíblia Sagrada. Edição Pastoral, Paulus, São Paulo, 1998.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Publicano