República Rio Grandense

A Revolução Farroupilha, também chamada de Guerra dos Farrapos, deflagrou-se no Rio Grande do Sul e foi a mais longa revolta brasileira da qual se tem conhecimento – ela durou dez anos (1835 a 1845). As dificuldades econômicas que as camadas dominantes da época passaram a enfrentar estão entre as principais causas da Revolução. A economia do Rio Grande do Sul era focada na criação de gado e a sobrevivência deste povo baseava-se na cultura do charque, mais conhecido como carne seca fora do Sul.

O comércio do charque era realizado com as várias comarcas brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e região nordeste -, pois era fonte de alimentação dos escravos.

Durante o governo imperial, os produtores gaúchos, donos das fazendas de gado, revoltaram-se contra o governo, condescendente com a concorrência desleal que passaram a sofrer quando da entrada de carne seca do Uruguai e da Argentina – ela entrava no país pagando taxas bem menores e, conseqüentemente, podia vender seu produto a preços bem mais acessíveis para as províncias acima citadas. Assim, a economia gaúcha começou a entrar em declínio.

Os poderosos estancieiros passaram a acreditar que o governo imperial fosse encontrar um meio de resguardar a pecuária do Rio Grande do Sul, encarecendo as taxas de importação da carne seca argentina e uruguaia quando da entrada no Brasil.

Essa mesma fina flor de grandes estancieiros também batalhava junto ao governo imperial por uma maior liberdade administrativa para o Rio Grande do Sul.

No ano de 1834, o governo instituiu novos impostos para a comarca gaúcha, o que acabou provocando o início da rebelião que culminou, em 1836, na proclamação da República Rio Grandense, com capital na cidade de Piratini.

A presidência da nova República ficou a cargo de Bento Gonçalves. Esperavam os revolucionários que seu exemplo fosse seguido pelas outras províncias, provocando assim a queda do regime imperial, o que infelizmente não ocorreu. A paz nesta região só teve início em 1842, quando Luís Alves de Lima e Silva, o Barão de Caxias, tornou-se presidente do Rio Grande do Sul e tomou a iniciativa de estabelecer uma concórdia com os estancieiros. A paz foi assinada em 1845, com a libertação dos escravos que participaram das batalhas, bem como a transferência das terras apreendidas para os fazendeiros locais.

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