Tratado de Utrecht

Por Antonio Gasparetto Junior
O Tratado de Utrecht estabeleceu a paz na guerra de sucessão espanhola.

No início do século XVIII, a Espanha estava dividida entre grupos que disputavam o trono. A disputa envolvia, inclusive, outros países da Europa. Se, por um lado, Filipe d’Anjou buscava o trono, por outro, Carlos, proveniente da Áustria, fazia oposição e disputava o posto nobre. Aparentemente poderia ser apenas mais uma disputa interna por sucessão, todavia Filipe era neto do rei francês Luís XIV e, por isso, recebia total apoio das forças francesas para ser o sucessor na Espanha. Contra ele, os partidários de Carlos formaram a Grande Aliança reunindo a Grã-Bretanha, a Holanda, a Prússia, Portugal e a casa futuramente italiana de Savoia.

A Grande Aliança marcou o ritmo da oposição a Filipe, mas perdeu força com a nomeação de Carlos como imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Os britânicos temiam uma concentração de poderes exagerada por parte de Carlos. A guerra pela sucessão do trono espanhol se arrastou por muitos anos e, cada vez mais, envolvia os interesses das potências europeias. Britânicos e franceses, inimigos históricos, se opunham mais uma vez e dificultavam a resolução da questão da sucessão. Assim foi até que eles decidiram se reunir em um congresso em Utrecht que não contou com a participação dos austríacos. Britânicos e franceses negociaram os termos de paz para encerrar os longos conflitos e impuseram a Carlos as deliberações de um tratado que fragmentava seu poder.

O Tratado de Utrecht encerrou a guerra de sucessão na Espanha com uma solução que foi favorável a Filipe, que permaneceu no trono espanhol até 1746. Como fruto do acordo de paz, Filipe renunciou ao trono francês, a França foi preservada em sua integridade e a Inglaterra recebeu bases marítimas e o direito de vender escravos negros para as colônias da América Espanhola. Além dos dois principais opositores, as outras potências envolvidas no conflito também desfrutaram de benefícios. A casa de Savoia recebeu a Sicília e expandiu as fronteiras italianas. Os holandeses e os austríacos puderam equipar suas fortalezas no sul dos Países Baixos. Mas, sem dúvida, a parte mais beneficiada desse acordo foi a Inglaterra. Através dele o país estabeleceu bases e conquistas que abririam caminho para que se tornasse o principal império do mundo na ordem mundial dos séculos seguintes. Os ingleses passaram a dominar questões navais, comerciais e coloniais significativas.

Fontes:
http://info.lncc.br/wrmkkk/utrech1.html
http://ideas.repec.org/a/dec/articl/2004-09183-215.html
http://revistas.ucm.es/index.php/DICE/article/view/12380
http://mcv.revues.org/1506