Eritropoetina

Por Débora Carvalho Meldau
A eritropoetina (EPO) é uma glicoproteína sintetizada pelo rim, mais especificamente pelas células adjacentes aos túbulos proximais renais (90%), e pelo fígado também, porém, em menor quantidade (10%). Apresenta como função a regulação da eritropoiese (produção de eritrócitos, também conhecidos como hemácias ou glóbulos vermelhos) no homem e em outros animais.

Esta glicoproteína era rotineiramente utilizada para melhorar o desempenho dos atletas, especialmente nas modalidades de fundo (ciclismo, atletismo e esqui, por exemplo), uma vez que eleva os níveis de eritrócitos sanguíneos, incrementando a troca de oxigênio, resultando, assim, no aumento da resistência ao exercício físico. No entanto, em 1987, o Comitê Olímpico Internacional proibiu a utilização dessa substância, posto que a administração de EPO em atletas de ponta pode levar ao aumento artificial de seu desempenho. Objetivando preservar a saúde do atleta e a ética esportiva, este comitê e outras federações esportivas atualmente apontam como doping o uso de EPO e seus análogos.

Em 1906, Carnot descobriu que a administração de soro de coelhos anêmicos em coelhos saudáveis resultava no aumento da síntese de eritrócitos nestes. Anteriormente foi empregado o termo hemopoetina, havendo posterior permutação para eritropoetina. Apenas no ano de 1957 que foi elucidada sua produção renal. O gene da molécula foi detectado e clonado em 1985, possibilitando sua produção industrial, sendo então aprovada sua utilização médica nos Estados Unidos no ano de 1989. Embora sua eficácia seja comprovada, esta não pode substituir de maneira alguma o sangue quando a transfusão sanguínea se faz necessária ou em determinados tratamentos como a leucemia e outros tipos de neoplasias, pois sua incumbência é apressar a produção de hemácias, mas não sua substituição.

A EPO é amplamente utilizada no tratamento de diversos tipos de anemias, preparos de procedimentos cirúrgicos em que há grande perda sanguínea, reposição de níveis hematológicos, após cirurgias, terapêutica de afecções crônicas (como hepatite), tratamentos oncológicos, insuficiência renal crônica, doenças do sangue, neoplasias, programas de transfusão autóloga e cirurgias ortopedias.

A administração de EPO varia de acordo com o quadro apresentado pelo paciente. Existem dosagens subcutâneas e venosas, sendo que a aplicação da primeira, por ser espessa e gelada, é altamente dolorosa. Para reduzir essa dor, deve ser aplicada em regiões que possuem maior concentração de tecido adiposo.

Certas situações conduzem a uma produção aumentada de eritropoetina, em conseqüência da maior necessidade de oxigênio por parte dos tecidos, como: baixa da pressão parcial em oxigênio no caso de pessoas que vivem em elevadas altitudes; redução do número de hemácias devido a uma hemorragia ou por uma excessiva degradação dessas células. Contrariamente, o excesso de oxigênio tecidual reduz a sua secreção.

Fontes:
http://www.eritropoetina.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eritropoietina
http://www.scielo.br/pdf/rbme/v9n3/17268.pdf
http://www.fiocruz.br/bio_eng/media/monografia_epo.pdf
http://www.rise.duke.edu/phr150/Performance/howitworks.html