Por Camila Conceição Faria |
Seus versos, nessa fase, prendem-se aos valores literários da época, perfeitos na rima e na métrica, no entanto mostram-se pouco originais e espontâneos. Ainda nesse período, nota-se a forte presença Árcade em sua poesia e as constantes citações de Marílias, Ritálias, Márcias, Gertrúrias e etc, o que contribui para a sua fama de namorador e libertino. Alguns estudiosos apontam Maria Margarida Rita Constâncio Alves como a grande paixão do poeta, sendo atribuídos a ela os dois primeiros pseudônimos; outra figura muito presente em sua obra é Gertrúria, que na verdade é Gertrudes Homem de Noronha, filha do governador da Torre de Outão em Setúbal, a quem o poeta dedica grande quantidade de seus versos, levando a crer que este tenha sido o grande amor de sua vida.
Algum tempo depois segue para Goa, na Índia, e encontra uma cidade decadente, um império falido e tomado por corrupção, fato que deixa o poeta indignado, sentimento expressado em algumas de suas poesias. Durante a estadia em Goa, entrega-se a novos amores e uma intensa vida boêmia, o que abala sua saúde por um tempo. Recuperado, decide lutar pela causa portuguesa na “Conspiração dos Pintos”, na qual os goeses tentam expulsar os europeus de sua terra. Deve-se a este fato sua promoção a Tenente de Infantaria, e, em 14 de março de 1789, é transferido para Damão, no entanto, logo deserta e segue para Macau; no caminho é atingido por um ciclone e seu barco aporta em Cantão, onde apesar das dificuldades, obtém meios de chegar a seu destino. Em Macau é acolhido por um comerciante local, através do qual conhece o Governador, que o ajuda a voltar a Portugal. Suas diversas viagens, em nada contribuem para sua poesia, este cenário só se altera ao descobrir que Gertrudes, a quem dedicara a maioria de seus versos de amor, casara-se com seu irmão, Gil Bocage. Este fato altera totalmente sua vida e seu comportamento, o poeta se dedica cada vez mais à boemia e começa a ganhar fama de obsceno. Nesse período entra em contato com a Revolução Francesa, lê os iluministas e conhece o liberalismo político e cultural, transformando completamente sua poesia, nas quais passa a defender estes novos ideais.
Ao ingressar na Nova Arcádia, Bocage adota o pseudônimo Elmano Sadino, no entanto, permanece apenas quatro anos nesta instituição, pois apesar da proteção de alguns amigos, como Filinto Elísio e a marquesa de Alorna, o poeta é expulso e em seguida preso por “desbragamento de costumes e livre pensamento”. Bocage sempre se mostrou rebelde, contestário e de espírito livre, ridicularizava os adversários em seus versos e nem mesmo autoridades do regime, classes sociais ou o clero, escaparam de sua visão crítica. Em 1797 é conduzido à prisão do Limoeiro, passa por diversas outras prisões portuguesas e é doutrinado pelos oratorianos, no mosteiro de S. Bento. Durante o período do cárcere realizou traduções de Virgílio, Ovídio, Tasso, Rousseau, Racine e Voltaire, que o ajudaram a sobreviver nos anos seguintes, como homem livre. Após sair da prisão, Bocage torna-se um homem diferente daquele que havia sido, trabalha como tradutor e realiza tarefas similares para se sustentar e sustentar a irmã, Maria Francisca. Isto também se reflete em sua poesia, que agora se torna emotiva, sensível e profundamente subjetiva, levando alguns críticos a caracterizá-lo nessa fase como pré-romântica.
O poeta dos diversos temas e formas permaneceu escrevendo até a morte no dia 21 de dezembro de 1805, na cidade de Lisboa, e, apesar de toda a censura que sofreu e da incompreensão recebida até os dias de hoje, é considerado pela maioria dos críticos como o maior poeta português do século XVIII.
Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/@boca01.html, http://www.mun-setubal.pt/Municipio/Pessoas/Personalidades/personalidades.asp, http://www.mundocultural.com.br/index.asp?
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