Di Cavalcanti

Por Francisca Socorro Araujo
Emiliano Augusto Cavalcanti Albuquerque e Melo nasceu em 6 de setembro de 1897 no Rio de Janeiro e morreu em 26 de outubro de 1976 também no Rio. Foram, portanto, 79 anos vividos de forma tão intensa quanto possível no contexto do século XX.

Influenciado por nomes importantes da cena brasileira de seu tempo como José do Patrocínio, Olavo Bilac, Machado de Assis, entre outros, Di Cavalcanti é, juntamente com outros grandes nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Graça Aranha e outros nomes, um dos mais ilustres representantes do modernismo brasileiro. Di Cavalcanti contava o que via e o que vivia, em sua obra, seja no desenho, na caricatura ou na pintura, o que se pode perceber é o cotidiano das pessoas comuns. A obra de Di Cavalcanti retrata, portanto, o cotidiano da sociedade brasileira de seu tempo, aquilo que seu olhar pôde perceber.

Di Cavalcanti atuou intensamente como ilustrador e cartunista, sobretudo no início de sua produção. Por meio desta atividade é que teve acesso ao universo boêmio carioca onde se discutia com liberdade e criatividade os preceitos artísticos uma vez que o cenário político e social dos anos 20 e 30 é também um ambiente de repressão. Di Cavalcanti chegou a ser preso ( em 1932) acusado de apoiar Getúlio Vargas. Suas idéias políticas eram muitas vezes retratadas nos desenhos que fazia.

A carreira artística de Di Cavalcanti se iniciou em 1914, quando aos 13 anos publicou, na Revista FOIN-FON, no Rio de Janeiro, sua primeira caricatura. Posteriormente, vivendo em São Paulo para onde se mudara com o intuito de estudar Direito, Di Cavalcanti atuou como jornalista no jornal O Estado de São Paulo. Em 1917, portanto aos 20 anos, começa sua produção como pintor e no mesmo ano faz sua primeira exposição individual. Neste período, sua obra já trazia elementos que se contrapunham ao academicismo, principal característica do modernismo.

O Desenho esteve presente ao longo de toda a produção de Di Cavalcanti. Mesmo quando se tornou um artista consagrado o desenho continuou fazendo parte de sua atividade. Era sua forma de “escrever”, de forma rápida e econômica no que se refere ao traço artístico, o espírito daquele momento histórico e social.

Di Cavalcanti foi um dos idealizadores do mais importante evento modernista brasileiro, a Semana de Arte Moderna. Sua participação foi crucial na organização do mesmo e ali expôs 12 pinturas.

As vanguardas européias, Picasso em especial, exercem forte influência sobre a produção de Di Cavalcanti. Em 1923, período em que viveu na França e de onde escrevia para o jornal carioca Correio da Manhã, Di Cavalcanti fez exposições em Bruxelas, Londres, Amsterdã, Berlim e Lisboa, portanto, sua expressividade se estende para além das fronteiras brasileiras.

Em 1952 Di Cavalcanti faz uma doação de cerca de 500 desenhos seus para o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Além de artista Di Cavalcanti foi escritor, jornalista e poeta. Registrou na arte brasileira a complexa efervescência social e política do século 20.