Os Sermões

Por Emerson Santiago
Os Sermões ou ainda Sermoens (em português arcaico) é uma coletânea dos sermões mais célebres do Padre Antônio Vieira (1608-1697), e que pela construção e elaboração, tanto do aspecto gramatical quanto discursivo, valeram o status a seu autor de maior prosador da língua portuguesa.

O sermão, no século XVII, era um dos principais meios de comunicação, circulação de informações e de doutrinamento das populações cristãs tanto na Europa como no Novo Mundo, e tornou-se uma importante forma de expressão nas mãos do padre Vieira. Sua obra está organizada em 12 volumes, sendo que dois reúnem prédicas dedicadas a Nossa Senhora do Rosário, entre os quais estão os famosos sermões aos homens pretos, e outro é dedicado exclusivamente a São Francisco Xavier. Afora a organização por homenagem a figuras santas nesses três volumes, os outros nove não parecem seguir nenhuma ordenação, talvez obedecendo ao ritmo de preparação e término dos originais do próprio autor. Além desses, compõem a coleção um volume de sermões de ação de Graças, impresso em 1692, que era considerado por Vieira como um livro separado e diverso dos Sermões, mas incluído entre os volumes da obra no século XVIII, e mais quatro volumes organizados postumamente, entre 1710 e 1748, contendo sermões, cartas, poemas e discursos vários, com dois deles, adicionados à conta de 15 volumes de sermões posteriormente.

A obra começou a ser organizada ao final da vida de Vieira, quando este contava com 71 anos. Ela reúne as versões escritas de prédicas lançadas ao longo da vida do jesuíta, totalizando mais de 200 sermões no total, proferidos em Salvador, Lisboa, São Luís, Cabo Verde, Roma, entre outros lugares, e que cobrem as décadas de 1630 a 1690. O primeiro volume começa a ser editado em 1679, quando Vieira ainda estava em Lisboa, e o último volume organizado por ele sairá um ano após sua morte em Salvador, na Bahia. De acordo com uma figura utilizada pelo próprio autor, para comentar a obra, referiu-se aos tais sermões publicados como cadáveres, pois lhes falta a alma, a voz, que lhes dá vida. Vieira quer com essa analogia deixar bem claro que boa parte da "mágica" de seus sermões está tanto na voz como na emoção empregados para interpretá-los com a intensidade correta com que as palavras foram escolhidas.

Durante a vida de Vieira, os Sermoens circularam impressos simultaneamente tanto como sinal de sua autoridade e fama de pregador quanto veículo de afirmação dessa autoridade. Segundo consta, teriam sido impressos em cartas, contra sua própria vontade, a pedido de seus superiores de ordem, para servir como modelo de pregação.

Bibliografia:
LIMA, Luís Filipe Silvério. Sermões do Padre Antonio Vieira. Disponível em <http://www.brasiliana.usp.br/vieira_sermoes>. Acesso em: 11 nov. 2011.