Febre do Leite

Por Débora Carvalho Meldau
A Febre do Leite (FL), também conhecida como febre vitular, hipocalcemia puerperal, paresia puerperal ou paresia da parturiente, é uma doença metabólica que ocorre na primeira semana pós-parto devido a uma hipocalcemia aguda, ou seja, uma deficiência de cálcio no organismo. Normalmente, esta alteração ocorre 72 horas após o parto, no entanto pode ocorrer antes deste período ou durante todo o período de lactação.

Esta alta necessidade de cálcio se dá em situações de alta necessidade deste mineral, como: período pré-parto, quando há a produção de leite e colostro, sendo o cálcio desviado para a síntese destes; além disso, no fim da gestação o organismo da mãe pode não ser capaz de compensar a perda de cálcio pelo leite; o cálcio também é desviado da mãe para o feto durante o crescimento deste, principalmente no período que antecede o parto.

As vacas leiteiras de alta produção possuem uma capacidade de superar a capacidade de absorção deste nutriente pelo intestino, juntamente com o que o corpo mobiliza dos ossos. No entanto, todas as vacas passam por uma queda de cálcio na corrente sanguínea durante o período pós-parto, tornando-se altamente importante a realização de um balanceamento alimentar dos animais neste período.

Esta afecção traz grandes perdas econômicas, devido à interferência que causa no desempenho do animal, podendo chegar a uma redução de 14% do leite produzido no período de lactação, além de diminuir a vida útil do animal em até quatro anos. Os animais afetados pela febre do leite estão propensos a outras desordens após o nascimento dos bezerros, como por exemplo, deslocamento do abomaso, retenção de placenta, cetose, mastites, além de reduzir a fertilidade em consequência do aumento do período de anestro.

Existem alguns fatores que podem aumentar a ocorrência da febre do leite:

  • Baixa taxa de cálcio no sangue.
  • Consumo inadequado de cálcio, que pode ser muito baixa ou elevada. Quando a ingestão deste mineral é baixa, a absorção intestinal poderá ser insuficiente; quando a ingestão é excessivamente alta pode interferir na forma correta da utilização deste mineral no organismo.
  • Alimentação não-equilibrada e inadequada do consumo de minerais. É necessário fornecer suplementação mineral adequada aos animais, não deixando que se alimentem exclusivamente de pastagem, pois esta possui concentrações variáveis de minerais em sua composição, sendo assim a suplementação irá atender as necessidades básicas de mantença e produção. Além disso, uma inadequada ingestão de fósforo na alimentação pode alterar a taxa de cálcio em relação ao fósforo, interferindo assim na absorção de cálcio pelo organismo.
  • Vacas velhas, com idade entre 5 e 10 anos, possuem menor capacidade de utilização do cálcio dos ossos e também uma menor capacidade de absorção intestinal.
  • Alta produção de leite, tipo e raça do animal. As raças de corte produzem menor quantidade de leite, por isso são menos afetadas; a Jersey, por exemplo, que é produtora de leite, mesmo produzindo um volume inferior à raça Holandesa, é mais afetada pela FL.
  • Ocorrência em uma lactação aumenta a possibilidade, em até cinco vezes, de reincidência da enfermidade.

Os sinais clínicos apresentados pelos animais acometidos são: aumento de sensibilidade, tremor muscular da cabeça e dos membros, evitam se locomover e não se alimentam. Pode apresentar também agitação e paralisia da cabeça, com ranger de dentes e, mais tarde, rigidez dos membros posteriores, deste modo o animal se deita, permanecendo em decúbito. Caso o animal não seja tratado, irá permanecer deitado por um longo período de tempo, resultando em torcicolo e diminuição de consciência; após um certo tempo há o desaparecimento da rigidez dos membros, tornando-se flácidos.

Na maioria dos animais, o tratamento é feito com a administração intravenosa de 9 g de cálcio. No entanto, nem todas as vacas respondem a este tratamento. Se a velocidade de aplicação do cálcio for muito rápida pode haver efeitos indesejáveis ao coração. Pode ser feita aplicações subcutâneas que são mais seguras, porém a absorção é mais lenta. A prática mais usada é a aplicação de metade da dose por via intravenosa e metade por via oral, sendo que o uso do cloreto de cálcio é mais eficiente. A administração de vitamina D diretamente na veia ou no músculo induz a absorção intestinal de cálcio e fósforo, assim como o recrutamento pelo organismo de cálcio presente nos ossos, aumento a com concentração deste na corrente sanguínea.

A prevenção desta enfermidade pode ser feita com a administração de quantidades adequadas de cálcio logo após o parto, quando há o declínio deste mineral nas vacas. Outra medida a ser tomada é o fornecimento de uma dieta com níveis de cálcio adequados no pré-parto; o uso da vitamina D também tem sido realizado como medida preventiva.

Fontes:
http://www.cnpgl.embrapa.br/nova/publicacoes/comunicado/COT49.pdf.
http://gadoholandes.com/pdf/jornal_mar//ho18.pdf.
http://www.uff.br/webvideoquest/EJ/artigo1.htm

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