Independência do México

Por Fernando Sirugi
A luta pela independência do México, a partir de 1810, teve um caráter singular, na medida em que partiu de setores populares rurais. Nesse sentido, o projeto emancipacionista ia além da mera separação da metrópole: pretendia-se a realização de profundas reformas, incluindo o fim da escravidão, a igualdade de direitos e o fim dos privilégios das elites. Seus lideres foram Miguel Hidalgo, o padre Morelos e Vicente Guerrero.

Em 1821, a tentativa espanhola de recolonização teve aparente sucesso, com o triunfo do general Itúrbide. Este, entretanto, acabou por se aliar a Guerrero, segundo um acordo conhecido como Plano Iguala: proclamação da independência, igualdade de direitos entre criollos e espanhóis, supremacia da religião católica, respeito à propriedade e governo monárquico, sendo a coroa oferecida a Fernando VII da Espanha. Entretanto, Itúrbide assumiu o governo com o título de Agustín I, em 1822.

A monarquia mexicana teve curta duração, com a deposição de itúrbide e a proclamação da república de 1824, sendo eleito para os eu primeiro presidente o general Guadalupe Victoria. Entretanto, a instabilidade política marcava o país, não apenas em decorrência das lutas entre caudillos, mas também devido a conflitos externos. Entre os anos de 1846 e 1848, travou-se uma guerra com os Estados Unidos, da qual resultou a perda de vastos territórios para aquele país. E, em 1861, o México sofreu uma intervenção francesa.

O retorno a uma relativa normalidade só ocorreu durante o governo de Porfírio Diaz, entre 1876 e 1910. Esse período, conhecido como Porfiriato, foi caracterizado pela ditadura política e abertura do país para o capital estrangeiro. Tal situação provocou, de um lado, a modernização da infra-estrutura econômica do país, principalmente no setor ligado à exportação de gêneros agrícolas. As tensões políticas e sociais geradas no Porfiriato acabaram deflagrando a revolução mexicana. Em 1910, levantaram-se setores rurais e urbanos, incluindo a camada média e os camponeses, em luta contra Porfírio. Uma força se destacava: a dos liberais, chefiada por Francisco Madero, que pregava a criação de um sistema político baseado em eleições livres, incluindo o voto secreto e a possibilidade de alternância de partidos no poder. Porém ao iniciar a luta, os liberais desencadearam forças incontroláveis dos camponeses.

Em defesa da reforma agrária destacaram-se os lideres populares Emiliano Zapata e Pancho Villa. Com o assassinato de Madero, que havia sido finalmente eleito presidente, em 1913, radicalizou-se as posições, estabelecendo-se uma ditadura militar pró-Estados Unidos, chefiada pelo general Victorio Huerta. Houve a promulgação da constituição de 1917, isso resultou numa reforma agrária que ampliou consideravelmente o numero de pequenas propriedades. Mas por outro lado não afetou os interesses já estabelecidos.