Agartha

Por Ana Lucia Santana
Agartha seria uma misteriosa cidade lendária, provavelmente situada na Índia, em uma época remota. Esta cidade teria se ocultado em determinado momento, passando a existir no interior da terra, que para muitos estudiosos é considerada oca, ou subsistiria em um complexo sistema de túneis e cavernas abaixo do Himalaia.

Muitos vêem em Agartha um ancestral mito oriental, mas foi justamente um escritor francês, Louis Jacolliot, que a ela se referiu pela primeira vez, no ano de 1873, como Asgartha, talvez uma variante de Asgard, residência mítica dos deuses do povo nórdico. Um viajante inclinado a viver aventuras, o professor de ciências e escritor polonês Ferdynand Ossendowski, tornou célebre esta história, principalmente em sua obra Bestas, Homens e Deuses, na qual ele afirma ser este reino povoado por milhões de seres, liderados pelo Rei do Mundo, outro enigma nesta suposta lenda.

Segundo Ossendowski, esta poderosa entidade seria Melquisedec, o espírito mais iluminado de nossa esfera, reverenciado e homenageado por todas as formas de vida do Planeta. Ao que parece, não só monges do Oriente crêem na existência do Rei do Mundo, mas também muitas pessoas consideradas de alta reputação. Alguns ocultistas, como Saint-Yves d’Alveydre e René Guénon, reservam um espaço considerável em suas produções literárias para este tema.

Alguns crêem que Agartha não seria uma cidade como as outras, de dimensão material e concreta, mas sim um recanto livre de vícios e sombras, no qual apenas raros poderiam entrar. Este refúgio pode ter sido inspirado no mito de Shambala, próprio dos lamas tibetanos e também conhecido na Mongólia, locais visitados por Ossendowski, embora ele não se refira diretamente a esta história. Este viés mitológico teria sido usado por este aventureiro anticomunista para impressionar o Barão Von Sternberg, feroz caçador de bolcheviques, identificados na narrativa como o Anticristo que Agarthi tentava vencer. Muitos líderes que atingiram a Mongólia tentaram, por sua vez, convencer o povo deste país de que eram a Shambala dos sonhos dourados desta nação.

Independente de interesses políticos ou estratégicos, muitas crenças mongóis giravam em torno de Agartha ou de Shambala, de uma cidade mítica sob a terra, à qual se teria acesso por um portal secreto. Alguns chegam a afirmar que este reino englobaria todo o planeta, com milhões de habitantes, um recanto sem a presença do mal, banhado interiormente por luzes atípicas, que permitiriam o cultivo de variados alimentos. Sua capital seria circundada por povoados habitados por sacerdotes e homens de Ciência, semelhante a Lhasa, onde se localiza o palácio do Dalai Lama, no cimo de uma montanha repleta de templos e monastérios.

O Soberano do Mundo viveria em moradas de cristal, interagindo diretamente com Deus, assentado sobre um trono rodeado por deuses encarnados, conhecidos como Panditas Sagrados. Estas criaturas teriam um poder incalculável sobre a Humanidade, podendo até mesmo destruí-la se os homens se voltassem contra eles.