Lampreia

Por Marcelo Oliveira
As lampreias são anádromas, peixes que se reproduzem em água doce, porém migram para o mar para desenvolver-se até a fase adulta, e pertencem à ordem Petromyzontiformes, agrupadas na família Petromyzontidae.

Com um corpo cilíndrico e liso, a lampreia possui o formato de enguia, cauda comprida e escamas secretoras de muco pelo corpo. A boca circular, de diâmetro idêntico ao do corpo e reforçada por um anel de cartilagem, é repleta de dentes córneos e uma língua raspadora cartilaginosa, porém não possui mandíbula.

Os olhos grandes das lampreias não possuem os músculos oculares intrínsecos, presentes em outros vertebrados, enquanto que a única narina, chamada de abertura naso-hipofisial, faz a ligação até a hipófise e por trás dos olhos surgem as sete fendas branquiais. Seu corpo é formado por um esqueleto de cartilagem, coluna vertebral incompleta e um encéfalo rudimentar.

O esqueleto, apesar de não ser mineralizado, possuem regiões de cartilagem calcificada em seu endoesqueleto, enquanto que a coluna vertebral é basicamente formada pelo notocórdio (corda dorsal), mas com pequenos reforços cartilagíneos, chamados arcualia dorsais.

Uma lampreia, em sua fase larvar pode viver até sete anos nos rios onde nascem, e após sofrerem uma metamoforse, para chegar à fase adulta, migra para o mar. Uma vez na água salgada, se desenvolvem até atingir uma maturidade sexual, processo que pode chegar a um ou dois anos, para depois retornar à água doce, reproduzir e morrer. São gerados milhares de pequenos ovos, enterrados em ninhos, por cada fêmea, sem reservas nutritivas.

O ammocoetes, como é conhecida a larva da lampreia, não tem ventosa e seus olhos não são grandes como os de um animal adulto, alimentando-se de pequenas partículas orgânicas capturadas pela fita de muco produzida em sua faringe. A muco-cartilagem, tecido elástico que compõe a cabeça da larva, dá origem à vários tecidos, entre eles a cartilagem do animal.

 

Algumas espécies de lampreias são parasitas que sugam o sangue de outros peixes através de fendas abertas pela língua-raspadora, ação que também serve como opção de locomoção. Esta ação parasitária faz com que, com o tempo, o sistema digestivo atrofie e o animal passe a dedicar-se unicamente à reprodução.

As lampreias são conhecidas em alguns países europeus como suga-pedra, apelido ganho devido à utilização da ventosa bucal para agarrarem-se à pedras e vegetação aquática e assim descansarem.

Estes animais, principalmente as larvas, são usados como isca para a pesca de outros peixes. Os animais adultos também são muito apreciados como uma iguaria gastronômica.

A construção de barragens e a poluição das águas contribuem para a redução no número destes indivíduos, graças aos seus hábitos de reprodução e por viverem "enterradas" durante muito tempo.