A Última Ceia

Por Felipe Araújo
Leonardo da Vinci começou a trabalhar a pintura “A Última Ceia” no ano de 1495. Esta obra é considerada sua pintura mais ambiciosa e é tão famosa quanto o retrato da Mona Lisa, a mais notável e conhecida obra de Da Vinci.  O trabalho pode ser visitado no Convento Santa Maria Delle Grazie, Milão, onde foi concebida em uma parede do refeitório dos monges. Porém, a pintura não pode ser apreciada em sua totalidade. Isso se deve a um equívoco cometido por Leonardo da Vinci na época.

Da Vinci, que passou mais de dois anos trabalhando em “A Última Ceia”, decidiu aplicar a técnica da têmpera, que consistia em misturar pigmentos coloridos com gema de ovo. A pintura foi feita em gesso seco e, para a infelicidade dos apreciadores da obra do artista, entrou em estado de deterioração em 20 anos, sendo que no ano de 1560 já estava arruinada.

Uma história bastante lembrada sobre a produção de “A Última Ceia” é sobre a perplexidade de um prior do convento, que não se conformava em ver Da Vinci parado na frente da obra, observando-a durante tanto tempo. Em resposta às críticas do prior, o pintor afirmou que “os homens de gênio às vezes produzem mais quando menos trabalham, pois esta é a hora em que elaboram invenções e formam em suas mentes as ideias perfeitas que depois expressam e reproduzem com as mãos”. Além disso, Leonardo ameaçou basear-se na figura do prior para criar o rosto de Judas.

A história em que a obra baseia-se é encontrada no Novo Testamento. “A Última Ceia” ocorreu quando Cristo revelou, em meio a uma refeição, que um dos apóstolos ali presentes iria traí-lo. Na história bíblica, foi Judas Iscariotes o apóstolo a trair Jesus Cristo. Leonardo da Vinci retratou o perfil de Judas inclinado para trás, com o rosto em uma sombra.

Na obra, o olho direito de Jesus é o ponto de fuga para a perspectiva, tendo sua cabeça emoldurada pela janela ao fundo, que apresenta uma paisagem. Afastado de ambos os grupos, é o único que tem um semblante sereno, ao contrário dos 12 apóstolos que o ladeiam.

Uma curiosidade sobre “A Última Ceia” é que o mosteiro no qual se localiza passou por um bombardeiro durante a Segunda Guerra Mundial. A obra, mesmo deteriorada, manteve-se firme após este bombardeio e ainda pode ser apreciada pelos amantes da arte.

Fontes:
MASON, Antony. Artistas Famosos: Leonardo da Vinci, São Paulo: Callis, 2000.
http://galileu.globo.com/edic/97/conhecimento2.htm
http://www.auladearte.com.br/historia_da_arte/leonardo.htm