Cesarismo

Recebe o nome de cesarismo o governo de um elemento apenas, levado ao poder pelo povo, mas revestido de poder absoluto. Tal prática recebe este nome devido a Júlio César, estadista romano (101-44 a. C.), que, de certo modo, entrou para a história como o praticante máximo desta forma de ascensão política. A partir daí, todo o indivíduo que realizasse similar trajetória, estaria praticando o cesarismo.

Considerado modernamente como uma das formas de degeneração dos regimes políticos, já era definido no século XIX por Benjamin Constant (o escritor e político de origem francesa) como "usurpação, dado que, mantendo-se, na aparência, as anteriores formas de liberdade, mas para as profanar, se gera uma contrafação da liberdade".

Inúmeros casos de cesarismo acontecem e estão acontecendo atualmente. De fato, sempre que uma sociedade está ameaçada por uma grave crise, aparece aquele indivíduo salvador, pronto para levar toda a comunidade a um novo período de progressos. Assim, tal transferência da soberania do povo para a pessoa que a exerce de forma concentrada, tanto pode fazer-se por aclamação como por plebiscito,  mantendo-se, contudo, alguns órgãos de representação popular.

Mesmo assim, com a existência de formas admitidas de representação parlamentar, no sistema cesarista, estes estarão ligados ao poder policial e militar. O líder terá, assim, nenhum canal intermediário que o impeça de estabelecer contato direto com o seu povo, estabelecendo dessa forma uma representação inquestionável aos olhos da sociedade.

Um dos principais aspectos de um governo de estilo cesarista é o culto à personalidade, presente na intensa reprodução da imagem do líder, seja por meio de estátuas, pinturas, cinema ou mesmo a inclusão de nomes com referência ao poder constituído em ruas ou obras públicas. A prática do culto à personalidade leva assim o chefe de estado a transformar-se em uma figura paternalista (o pai da pátria), que inspira a sociedade a progredir.

Apesar da prática estar associada ao nome de César, a história presenciou no século a ascensão de inúmeros líderes com tal perfil, que se arvoravam como líderes, pais e salvadores de seu país. Ironicamente, tal fenômeno observou-se tanto com regimes de direita de cunho liberal, bem como regimes de esquerda da nova filosofia socialista, que fez de vários chefes de estado figuras a serem endeusadas.

É importante ainda deixar claro que o cesarismo não se trata de uma fórmula de administração política, estando na verdade ligado mais a um conceito abstrato e irracional da natureza humana, o desejo íntimo do ser humano de ser reconhecido e estimado, deturpado porém a níveis exagerados.

Bibliografia:
MALTEZ, José Adelino. Cesarismo, o que é?. Disponível em <http://topicospoliticos.blogspot.com/2004/10/cesarismo-o-que.html>. Acesso em: 01 out. 2011.

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