Personificação

Por Ana Lucia Santana
As figuras de estilo, assim intituladas em Portugal, ou de linguagem, como são mais conhecidas no Brasil, são estratagemas que um autor pode empregar no discurso para provocar certa impressão na exegese do leitor. São instrumentos expressivos mais concentrados em partes do texto. É um instrumento amplamente utilizado no cotidiano de todos, nas músicas e na literatura.

Personificação ou prosopopeia é uma figura de linguagem que constitui a ação de conferir a artefatos desprovidos de energia vital ou aos animais emoções ou atos inerentes ao Homem. Isso envolve conceder um afeto, por exemplo, a algo que jamais poderá expressar um sentimento, porém esse ser terá condições de indicar uma dada emotividade a um humano.

Assim, se um autor diz que o céu chorava, pode estar transmitindo uma sensação de tristeza para o leitor. Ou se apresenta uma fonte risonha, está tentando passar um sentimento de felicidade. Nas narrativas protagonizadas por animais a personificação ganha uma acepção alegórica.

Nelas a concessão de certos traços do Homem a entidades privadas de Razão observa algumas normas, as quais são previamente estipuladas segundo os parâmetros vigentes no ambiente sócio-cultural em que vive o escritor. Desta forma gatos usam botas e realizam a jornada do herói; leões se sacrificam pelos outros animais; raposas revelam profunda astúcia, e assim por diante.

Esta figura de linguagem é um recurso muito usado pelos autores de literatura infanto-juvenil, pois lhes dá ampla liberdade para mergulhar nos mais recônditos desvãos da imaginação, algo que a ficção criada para o público adulto quase nunca possibilita. Mesmo assim alguns escritores deste gênero cultivam o realismo mágico, especialmente na América Latina.

Outros autores, como Jorge Amado e Luis Sepúlveda, compuseram histórias como O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá e História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar. Estas obras atuam como fábulas da era contemporânea e desta forma abolem os limites entre o que é considerado produção literária para adultos e a literatura para crianças.

Segue abaixo um poema do mineiro Carlos Drummond de Andrade. Nele está presente a personificação.

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.

No último verso deste trecho da poesia de Drummond o medo, um sentimento, é convertido em figura paterna e é visto como companheiro, virtudes somente conferidas ao Homem.

Fontes:
http://rachacuca.com.br/educacao/portugues/figuras-de-linguagem/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Personifica%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Figura_de_linguagem