Tradutor

Por Ana Lucia Santana
A profissão de tradutor requer que o profissional atue anonimamente, sendo sempre leal à obra original, com a mente constantemente aberta para receber conhecimentos de outras culturas e tradições. Ele deve estar apto, principalmente nestes tempos globalizados, a transmitir elementos culturais de uma nação para outra, preservando cada particularidade do texto, contornando os riscos das famosas expressões idiomáticas, e simultaneamente garantindo a compreensão do discurso.

Atualmente generalizou-se a aquisição de um ou mais idiomas estrangeiros, mas a globalização também permitiu a aceleração das informações, que se disseminam cada vez mais velozmente pelo Planeta. Este contexto oferece ao tradutor um campo de trabalho mais amplo, que engloba as traduções de natureza oral, empreendidas pelo intérprete, e as textuais, pelas quais os tradutores se responsabilizam.

Na esfera oral há a tradução simultânea, quando o discurso do conferencista é imediatamente convertido para o idioma local, em tempo real. Ocorre também a tradução consecutiva, na qual a versão é entremeada com a palestra, aptidão que requer habilidades psíquicas particulares. Os profissionais melhor remunerados são os que exercem a tradução simultânea, a de textos técnicos e a de softwares. Esta renda, em média, pode atingir R$ 5.000 mensais.

Nem sempre o tradutor é reconhecido como desejaria ou poderia ser. Muitos o consideram um traidor da obra original, mas, na verdade, o bom profissional é infiel não aos atributos e ao valor do texto alheio, mas sim à própria potencialidade, a sua mentalidade, às emoções pessoais, pois oculta sua maneira de ser, a forma de se expressar, sua visão de mundo, para revelar o talento do outro, do texto sobre o qual ele trabalha.

Ao mesmo tempo, porém, ele preserva, de alguma forma, algo de seu contexto idiomático, de sua cultura geral, do seu estilo, nos bastidores, ou, melhor dizendo, nas entrelinhas do texto traduzido. Desta forma o tradutor permite que a obra reviva e sobreviva no interior de outra cultura.

Este profissional vive hoje um impasse, pois não é obrigatório ser graduado em Tradução e Intérprete para ser um tradutor. O Sindicato Nacional dos Tradutores – o Sintra – tem se esforçado para regular a profissão, tornando compulsória a formação em algum idioma. As empresas que contratam tradutores técnicos, porém, preferem admitir, por exemplo, médicos para verter textos sobre o tema que dominam, do que empregar tradutores graduados sem nenhum conhecimento sobre Medicina.

As graduações, porém, têm procurado se adaptar às novas exigências do mercado. É fundamental também ter um bom domínio da língua materna, detalhe essencial do qual carecem muitas traduções recentes.

O tradutor tem em suas mãos o poder de levar o conhecimento de uma cultura estranha àqueles que só têm a possibilidade de viajar para terras estrangeiras através da imaginação, o que é propiciado pela tradução da obra original, à qual muitos leitores não teriam acesso. Para isso é imprescindível que o tradutor respeite a criação alheia e se mantenha à margem do processo, permitindo assim que se manifeste o estilo do autor, não o seu.

Fontes
http://www.tradutores.com/tradutor/index.php/tag/a-profissao/
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u8890.shtml