Narrador-protagonista

O narrador protagonista é a figura principal da trama. Ele não tem o poder de acessar os pensamentos que se passam no interior da mente dos outros personagens. O que ele conta está relacionado somente a si mesmo, melhor dizendo, ao seu campo emocional, a sua impressão dos fatos e às ideias com as quais se sintoniza.

Esta modalidade de narrador relata o que se passa exatamente do ponto central da narrativa, inclusive porque ele mesmo é o núcleo principal da história. É dessa visão privilegiada que o mesmo retrata tudo que lhe diz respeito e, desta forma, insere o leitor em uma incessante aproximação ou afastamento do enredo.

É o que se vê, por exemplo, em Riobaldo, o narrador do clássico Grande Sertão: Veredas. Nele não há qualquer sinal de saber onisciente. Como protagonista da história, ele desconhece as condições psíquicas de seus companheiros. Portanto, conta o que se passa de uma posição precisa, restrito quase completamente ao que ele próprio percebe, pensa e sente.

Este narrador se vale tanto da cena quanto do sumário; é esse recurso que determina o quanto a trama e o leitor chegam mais próximos um do outro ou se distanciam; e ainda revela o quanto esse espaço entre os dois pode ser instável. Em Grande Sertão: Veredas tudo é apresentado e contado por Riobaldo; ele e Diadorim são as figuras essenciais da história.

O enigma que envolve Diadorim, por quem o protagonista é completamente apaixonado, só é acessível ao leitor porque o narrador é Riobaldo. E a verdadeira identidade daquele misterioso ser só é revelado no fim da história porque é este o momento exato em que o protagonista tem acesso à verdade. Como não há qualquer outra criatura que conheça a realidade dos fatos, somente este narrador pode revelar tudo ao leitor.

É essencial que o narrador protagonista tenha a necessária habilidade para engajar o leitor desde o primeiro momento. Ou seja, ele deve ser acima de tudo um ser carismático. Além disso, precisa conhecer cada ponto da história melhor do que ninguém. Sua eficiência na conquista imediata do leitor é um ponto central a ser observado pelo autor.

Muitas vezes esta categoria de narrador desenvolve sua história por meio de correspondências, vídeos, trocas de mensagens virtuais, entre outros meios de comunicação. Ele é o sujeito da história, e só poderá transmitir o que ocorre com seus companheiros de jornada quando estes lhe comunicarem o que acontece em seus universos pessoais. Por ser um narrador muito subjetivo, é normalmente encontrado em histórias de terror e no gênero fantástico.

Fontes:
http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/foco/index07.html
http://universitariaemcena.wordpress.com/tag/narrador/
http://literatulandia.wordpress.com/2009/12/05/15-narrador-testigo-y-narrador-protagonista/

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