Narrador-testemunha

O narrador-testemunha observa do interior da trama o que nela se passa; ele representa um avanço em relação à intervenção de um ponto de vista externo. Esta categoria conta a história do ponto de vista da 1ª pessoa e vivencia os fatos que relata do ângulo de uma criatura fictícia secundária. Desta posição ele pode conceder ao leitor uma visão mais clara e plausível dos eventos que se desenrolam na narrativa que relata.

Daí ele ser considerado um narrador testemunha, isto é, ele dá o testemunho do que vê, daquilo que considera verídico ou deseja transmitir como se fosse algo realmente autêntico. Assim como o narrador protagonista, ele também tem uma percepção restrita do que se passa, pois traduz o que presencia da margem dos fatos.

Assim sendo, ele não tem o dom de saber o que ocorre na mente dos outros personagens. Portanto, tudo que pode fazer é deduzir, levantar probabilidades e valer-se de eventos que testemunhou ou captou através da audição. Também tem ao seu alcance correspondências ou documentos íntimos de outra natureza.

Ele é mais imparcial e impessoal que o narrador em primeira pessoa, mas não tanto quanto o que narra na terceira pessoa de um ponto de vista onisciente. Um ótimo exemplo é a obra Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle. Aqui a trama é contada por um personagem coadjuvante, uma testemunha do que acontece ao longo da história, ou seja, pelo Dr. Watson, fiel companheiro do protagonista. Outro bom modelo está presente em um dos clássicos de Machado de Assis, Memorial de Aires.

Apesar de não ser a figura central da narrativa, a testemunha integra a história, vivencia todos os eventos que se desenrolam no interior de cada cena e, assim, confere ao leitor um ponto de vista mais verdadeiro do que se passa. Ele se limita a transmitir o que seus olhos viram, assim como os sons alcançados pelos seus ouvidos, suas leituras, teses, juízos.

Este narrador também pode exprimir seu parecer sobre como o leitor deve ser posicionado, perto, distante da trama, ou se revezando entre os dois pontos; e está em condições de expor tanto a síntese da história quanto as cenas em si, ou melhor, do seu ponto de vista.

É importante ter em mente que, apesar de estar narrando o que se passa, o narrador testemunha ocupa uma posição secundária na trama. Ele reproduz o que vivenciou em sua trajetória no âmbito da obra. E geralmente as pessoas crêem no testemunho de alguém.

Leia mais:

Fontes:
http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/foco/index06.html
http://universitariaemcena.wordpress.com/tag/narrador/
http://literatulandia.wordpress.com/2009/12/05/15-narrador-testigo-y-narrador-protagonista/
http://oficinadenarrativas.blogspot.com.br/2009/10/tipos-de-narradores.html

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