Antipapa

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

Antipapa é um indivíduo que reclama o posto máximo da Igreja Católica ocupado por alguém legitimamente eleito.

Ao contrário do que a cultura popular pode difundir, o Antipapa não é um indivíduo a favor das forças do mal que busca acabar com a religiosidade e, sobretudo, com a Igreja Católica. Muito pelo contrário, o Antipapa é também uma pessoa muito religiosa e deseja estar no lugar do papa, como líder máximo do catolicismo. O Antipapa, na verdade, faz oposição ao papa legitimamente eleito e, em alguns casos, afirmar ser ele mesmo o papa, com o apoio de outros cardeais. Isso ocorreu ao longo da história da Igreja Católica, sendo que reinos e outros importantes representantes do catolicismo apoiaram a existência dos chamados Antipapas considerando-os como os verdadeiros líderes da religião.

O primeiro indivíduo a ser considerado como um Antipapa foi Hipólito de Roma, no ano 235. Nesta ocasião, ele protestou contra o papa eleito Calisto I e coordenou uma ala própria dos religiosos em Roma. A querela só foi resolvida com o sucessor de Calisto I, papa Ponciano, mas, até hoje, não se sabe se Hipólito realmente se declarou papa. O fato é que, mais tarde, ele foi canonizado pela Igreja Católica.

Antes do caso de Hipólito de Roma, há ainda uma lenda que diz que Eusébio de Cesaréia foi papa de um pequeno grupo de homens hereges em Roma. Porém Eusébio teria se arrependido rapidamente e implorado ao papa Zeferino para ser perdoado. Situação muito distinta de Novaciano que efetivamente alegou ser o papa, em 258. Na ocasião, o líder máximo da Igreja Católica era o papa Cornélio. Tendo em vista que as histórias de Hipólito e de Eusébio não são bem esclarecidas, alguns argumentam que Noviciano foi, de fato, o primeiro Antipapa.

Mas a grande e comprovada ocorrência de Antipapas ocorreu mesmo entre os séculos XI e XII, quando se intensificou o conflito entre a Igreja Católica do Ocidente e a Igreja Católica do Oriente. Para defender seus interesses e promover suas causas, os imperadores do Sacro Império Romano impunham seus papas e isso gerava discordância. O resultado de toda essa disputa foi o chamado Grande Cisma do Oriente, que, iniciado em 1378, tornou comum a existência de mais de um papa simultaneamente. Somente a Reforma Católica ocorrida no século XVI foi capaz de acabar com os Antipapas.

Partindo do caso de Hipólito de Roma até o século XV, há uma grande lista de Antipapas na história da Igreja Católica. Cabe destacar que dois antecessores do nome utilizado pelo atual papa, Bento XVI, declararam-se Antipapas com o nome de Bento XIV. Um deles foi Bernard Garnier, entre 1424 e 1429, e outro foi Jean Carrier, entre 1430 e 1437. O último indivíduo a se declarar Antipapa antes da Reforma Católica do século XVI foi Amadeu VIII, ou Duque de Saboia, que foi eleito pelo Concílio de Basiléia e adotou o nome de papa Felix V durante 10 anos, entre 1439 e 1449.

Fonte:
http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=538&mes=marco2001

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