Música Sacra

Por Ana Lucia Santana
A música sacra pode ser compreendida em sentido mais limitado, denotando a música de natureza erudita inerente à tradição judaico-cristã. Ou ser percebida em seu significado mais amplo, referindo-se a toda música executada nas cerimônias de toda e qualquer religião.

Os pesquisadores divergem a respeito do que seja realmente a música sacra. Geralmente ela é conceituada como musicalidade não profana, criada para animar os sentimentos humanos da natureza do sagrado e da espiritualidade. Vale lembrar que uma canção ser composta por um autor religioso não a transforma necessariamente em uma música sacra. Assim sendo, embora toda musicalidade sacra seja de teor espiritual, nem toda composição religiosa é uma canção sacra. Ela deve ter uma aura de santidade.

O uso deste termo foi registrado pela primeira vez na Era Medieval, quando se concluiu que era necessário elaborar uma teoria musical específica para as canções executadas nas missas e na adoração a Deus. Sua expressão mais remota é o canto gregoriano, gênero musical de cunho vocal, composto por uma única melodia.

Este estilo musical aparece ao longo da história da música no Ocidente, desde o Renascimento, marcado pela presença de Jacques Arcadelt, Dés Pres e de Giovanni Pierluigi da Palestrina; atravessando o Barroco com Bach e Haendel; seguindo pelo Classicismo, nas obras de Haydn, Mozart, Nunes Garcia; caminhando para o Romantismo através de Bruckner, Gounod, César Franck e Saint-Saëns; até atingir o Modernismo, por meio de Penderecki e Amaral Vieira.

Alguns conhecedores religiosos da música sacra estabelecem suas principais qualidades, aquelas que devem estar presentes para que se defina uma canção como de natureza sacra. Entre elas, consta que a música deve: disseminar um ponto de vista autêntico sobre a Divindade; transmitir no conteúdo uma revelação presente na Bíblia e na doutrina de cada religião; estimular a vivência do testemunho de Jesus; ser completamente oposta à música profana; conter uma oração em sua essência, justificando como arremate final o amém; submeter a técnica musical aos fatores religiosos; ajudar o crente a perceber suas imperfeições com clareza; levar o devoto a perceber o significado do seu próprio sacrifício no desenvolvimento de sua fé; incentivar a emergência das emoções espirituais que levam o Homem a louvar o Criador; atuar apenas como meio de glorificação divina, não como entretenimento – máxima extraída das palavras do compositor Sebastian Bach.

Os chamados motetes, peças inspiradas em escritos religiosos, geralmente criadas em latim, são algumas das expressões sob as quais se apresenta a música sacra. Outras manifestações sacras são os salmos, formato mais específico dos motetes, fundamentados no Livro dos Salmos; a missa, proveniente do cerimonial católico, normalmente dividido em seis etapas principais - Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei; e o réquiem ou missa dos mortos, que engloba as categorias essenciais da missa, acrescidas do Dies Irae, do Confutatis, da Lacrimosa, entre outras.

Fontes
http://www.musicaeadoracao.com.br/artigos/meio/musica_sacra.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Música_sacra
http://pt.wikipedia.org/wiki/Canto_gregoriano