Flatulência

Por Débora Carvalho Meldau
Flatulência, também chamada de flato ou gases intestinais, é uma ventosidade anal que pode ser ruidosa ou não e apresenta um cheiro fétido.

Sua etiologia encontra-se nos gases que são ingeridos acidentalmente junto com os alimentos. O ato de deglutir pequenas quantidades de ar é normal, mas algumas pessoas fazem-no em grande quantidade, inconscientemente. Sua eliminação pode ocorrer por via oral (arroto ou eructação) ou por via anal (gases intestinais ou flatos). Todavia, a maior parte deles é produzida no intestino por carboidratos que não são digeridos quando passam pelo estômago. Como não há a produção das enzimas digestivas no intestino necessária para digeri-los eles são fermentados por bactérias que geralmente encontram-se neste local. Esse processo é responsável pela maior produção e liberação de gases.

O gás resultante dessa fermentação é o metano, de densidade 0,722 g/dm3, ou seja, mais leve que o oxigênio, tendendo sempre a subir rapidamente. Este é um gás altamente inflamável, incolor e contribui 21 vezes mais para o efeito estufa do que o dióxido de carbono.

A intensificação da flatulência pode ocorrer em pessoas ansiosas, que falam ao comer ou que comem muito depressa, ou em pessoas que sofrem de parasitoses intestinais. Outros fatores como genética e má alimentação podem também levar à flatulência.

Estudos mostram que um adulto pode expelir, em média, gases vinte vezes por dia. Todavia, não é fácil quantificar o gás eliminado por um indivíduo, portanto, é mais difícil ainda precisar seu excesso. Determinados casos de flatulência excessiva, geralmente acompanhados por diarréia, ocorrem juntamente com intolerâncias alimentares, sendo a mais frequente delas, a intolerância à lactose. Quando a flatulência parece anormal, particularmente quando associada a fezes persistentes amolecidas ou líquidas, o médico deve pesquisar e tratar alguma dificuldade de absorção, como é o caso da doença celíaca.

Existem também os indivíduos que são portadores de doenças funcionais do aparelho digestivo. Nesses casos, essas queixas ocorrem acompanhadas de sintomas inespecíficos de distensão ou dor abdominal acompanhada ou não de diarréia.

Inicialmente, deve ser levado em consideração o fato de que os flatos estejam ocorrendo pela excessiva deglutição de ar. Deste modo, deve-ser evitar comer muito rápido ou conversando, mascar chiclete, tomar bebidas gaseificadas, fumar e beber utilizando um canudo. Indivíduos que apresentam aerofagia e que são conscientes devem ser alertadas para que mudem esse “hábito”, evitando assim a ocorrência dos sintomas. Obstrução nasal e problemas neurológicos que interfiram na normal deglutição também podem levar à excessiva deglutição de ar.

A digestão por parte de algumas bactérias produz mais gás do que outras. A fermentação intestinal é a responsável pela produção de gás, podendo ser a partir da lactose, da frutose, de determinadas fibras vegetais e de carboidratos presentes no trigo, aveia, milho e batatas. Normalmente o gás oriundo da fermentação de vegetais tende a ser sem cheiro, enquanto que o resultante da digestão de carnes, mal cheiroso.

Com base nos conhecimentos descritos acima, deve ser tentada uma dieta com restrição gradual de certos alimentos. A exclusão alimentar deve ser gradual, para que o paciente possa identificar qual o alimento que, naquela pessoa, é responsável pelos sintomas indesejáveis. O comum é recomendar uma dieta sem leite e seus derivados. Após afastar essa possível causa, tenta-se a exclusão de alimentos que sabidamente causam produção de gases, como feijão, repolho, brócolis, ovo, cebola, cerveja, vinho-tinto, por exemplo.

Não existe fármaco algum que, comprovadamente, reduza a produção ou a liberação de gases pelo organismo. A maior parte dos remédios tradicionalmente usados, não apresenta efeito algum ou seu resultado é mínimo.

Fontes:
http://www.manualmerck.net/?id=133&cn=541
http://www.drauziovarella.com.br/Sintomas/285/flatulencia
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?203
http://pt.wikipedia.org/wiki/Flatul%C3%AAncia