Dor

Por Débora Carvalho Meldau
A dor é essencial para a integridade do indivíduo e a sobrevivência da espécie. A Associação Internacional para Estudos da Dor define-a como “uma sensação e experiência emocional desagradável associada com o atual ou potencial dano tecidual”. Dor é a percepção da nocicepção e, juntamente com outras percepções, é determinada pela interação entre a atividade neurosenssorial, a variedade comportamental e fatores psicológicos.

A percepção da dor se inicia na periferia, através da ativação de nociceptores (receptor sensorial da dor). Esses estão presentes por todo o organismo e são classificados em três subtipos:

  • Receptores mecânicos de alto-limiar: detectam pressão;
  • Receptores mecanotermais de baixo-limiar: detectam pressão e calor;
  • Receptores polimodais: detectam pressão, calor e fatores químicos.

Os receptores mecânicos de alto-limiar e os receptores mecanotermais de baixo-limiar são inervados pelas fibras nervosas mielinizadas Aδ e Aβ, enquanto os receptores polimodais são inervados pela fibra nervosa não-mielinizada C. As substâncias químicas que ativam os receptores polimodais são várias, dentre elas estão os mediadores inflamatórios como: prostaglandinas, leucotrienos, bradicininas, serotonina, substância P e histamina.

Além de ativar os nociceptores, o estímulo doloroso é conduzido para a medula espinhal através das fibras Aδ, Aβ e C. Esses são considerados os primeiros moduladores da via da condução de dor, pois fazem sinapses com neurônios secundários da medula espinhal, que por sua vez, fazem sinapse com um terceiro neurônio no cérebro que completa a condução nociceptiva. Devido à mielina presente nas fibras Aδ e Aβ, acabam por transmitirem impulsos nervosos 10 vezes mais rápidos que as fibras C. Em consequência, a ativação periférica de mecanorreceptores de alto-limiar ao longo das fibras Aδ e Aβ conduz para a medula espinhal rapidamente dor aguçada.

Quando ocorrem lesões no tecido, há a liberação de mediadores químicos da inflamação que ativam receptores polimodais que transmitem o impulso através da fibra C para a medula espinhal, que é associada à sensação dolorosa latejante e ardente. Deste modo, em sua maior parte, as dores são bimodais por natureza resultando em sensação aguda. Existe uma exceção que é a dor visceral, transmitida unicamente pelas fibras C.

Na medula espinhal existem basicamente duas vias ascendentes para a condução da dor até o cérebro:

  1. Via neoespinotalâmica: conduz a dor somática, bem-localizada, através de poucas sinapses;
  2. Via palioespinotalâmica: conduz a dor visceral, de localização precária, através de sinapses.

Quando há a detecção da dor pelo cérebro, são conduzidas informações por uma via descendente, na medula espinhal, relaconada com a fibra C, que por sua vez, se comunica com interneurônios. Quando esses últimos são estimulados, liberam opióides endógenos (como encefalinas, endorfinas e dinorfinas) que se combinam com receptores de opióides, diminuindo deste modo, a liberação da substância P.

O limiar da dor varia de indivíduo para indivíduo e, também, entre os animais. Ele é definido como o momento em que certo estímulo passa a ser reconhecido como doloroso. Já o limiar de tolerância é definido como o ponto em que o estímulo doloroso alcança tal intensidade que não pode mais ser suportado pelo indivíduo. A resistência à dor é a diferença entre os dois limiares e demonstra a amplitude de uma estimulação dolorosa à qual o indivíduo possa considerar como aceitável.

O manejo da dor consiste na inibição da percepção, da sensibilização central (modulação das etapas medulares), da transmissão (inibição da condução do impulso) e da transdução (inibição da sensibilização periférica dos nociceptores). Seu controle é feito com a administração de analgésicos.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dor
Manual de Terapêutica Veterinária – Silvia Franco Andrade, 2° edição. Editora Rocca, 2002.