Filantropia

Por Ana Lucia Santana
A Filantropia consiste na prática de auxiliar institutos ou indivíduos que elaboram tarefas significativas, de alto teor social, seja com dinheiro ou outros patrimônios financeiros. Esta expressão provém do grego, e tem o sentido de ‘amor à humanidade’. As pessoas que recorrem ao exercício filantrópico realmente crêem na alternativa de modificar pessoalmente os rumos da sociedade, sem para isso necessitar da ajuda governamental.

Muitas vezes descrentes da atuação do Estado, empresários e profissionais bem sucedidos procuram cooperar com a desejada e imprescindível transformação social, tentando até mesmo retificar atos equivocados da esfera estatal. Aqueles que geralmente assumem essas tarefas são chamados normalmente de filantropos ou filantropistas.

Atitudes desta natureza ganham destaque em momentos de crises econômicas, institucionais e até mesmo em adventos de catástrofes naturais, quando indivíduos famosos, muitas vezes artistas e intelectuais, se unem em causas humanitárias, culturais e espirituais.

Geralmente esta filantropia que ganha repercussão na mídia e nos meios artísticos ou políticos é chamada de filantropia global, embora muito do que se rotule desta forma, não passe de contribuições monetárias organizadas por instituições de nações desenvolvidas em prol de ONGs – Organizações não Governamentais – que atuam em países menos adiantados. Normalmente este auxílio não atinge grandes somas, apesar de atualmente se perceber a importância de estender o trabalho destas entidades, no sentido de questionar e enfrentar as políticas públicas que desprezam os problemas sociais e às vezes até corrompem os meandros já deteriorados da nossa sociedade.

Atualmente o dilema das grandes fundações é discernir quanto deve ser aplicado na produção de serviços à comunidade, e quanto se deve reverter para o trabalho mais profundo no campo da luta pelas idéias. É preciso então analisar a dimensão da causa que se abraça, e que espécie de retorno virá de cada opção em jogo. Esta é, para as instituições filantrópicas, uma escolha muito complexa e árdua, pois os artífices destas decisões estratégicas sabem que, por um lado, precisam dar conta dos frutos de seus investimentos, mas por outro eles têm consciência do quanto é longo o prazo necessário para que uma transformação social se processe.

Assim, é possível perceber que a filantropia não se desenvolve apenas nas microesferas, mas também em âmbitos de influência planetária, que utilizam esta prática até mesmo para influenciar estadistas locais e globais. Nesta dimensão mais ampla, é fundamental saber lidar com conceitos como desenvolvimento sustentável e outras tantas noções não menos complexas.